Sporting reestrutura dívida com BCP e Novo Banco. Obtém “perdão” de 94,5 milhões de euros

  • ECO e Lusa
  • 10 Outubro 2019

BCP e Novo Banco, os maiores credores da SAD do Sporting, reestruturaram os contratos de financiamento. Dívidas vencidas do clube liderado por Frederico Varandas estão pagas.

O Sporting reestruturou os contratos de financiamento que tem com o Millennium BCP e com o Novo Banco e procedeu ao pagamento de todas as dívidas vencidas. Num comunicado ao mercado, esta quarta-feira, o clube dos leões explica que os moldes da reestruturação financeira que passa por uma alteração dos termos da opção de compra dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) que resulta num “perdão” de 94,5 milhões da dívida.

No final do ano passado, o BCP e o Novo Banco, os dois maiores credores da SAD do Sporting, mostram disponibilidade para renegociar, com a administração liderada por Frederico Varandas, as condições do acordo quadro, relativo aos VMOC, no valor de 135 milhões de euros. As cláusulas dessa alteração foram agora formalizadas, ou seja, foi “fixado um preço unitário fixo correspondente a 0,30 cêntimos por VMOC, obrigatoriamente extensível à totalidade dos VMOC denominados ‘Valores Sporting 2010’ e ‘Valores Sporting 2014’, que sejam detidos pelos bancos à data do exercício da opção de compra, sujeito à obrigação de utilização exclusiva dos saldos futuros das Contas Reserva para aquisição de VMOC”, pode ler-se no comunicado disponibilizado na CMVM.

Esse preço é obrigatoriamente extensível à totalidade dos VMOC denominados “Valores Sporting 2010” e “Valores Sporting 2014” que sejam detidos pelos bancos à data do exercício da opção de compra, sujeito à obrigação de utilização exclusiva dos saldos futuros das contas reserva para aquisição de VMOC, refere o documento. A SAD terá, assim, de desembolsar apenas 40,5 milhões em vez de 135 milhões de euros para comprar a totalidade dos VMOC, o que se traduz num “perdão” de 94,5 milhões de euros.

Mas há mais detalhes nesta reestruturação. Quanto às condições de reembolso obrigatório e reforço das contas reserva há mudanças. Está prevista uma “redução da percentagem de afetação de fundos do ‘excesso de venda de passes de jogadores’, que passa de 50% para 30%, na proporção de 15% ao reembolso antecipado obrigatório e 15% ao reforço das contas reserva”. O que significa que terão de ser canalizados 30% do valor que fica disponível com a venda de passes de jogadores para estas obrigações, e 15% são reservados para reembolsos antecipados obrigatórios e os outros 15% para reforçar as contas reserva.

Por outro lado, fica ainda decidido reduzir a “percentagem do mecanismo de cash sweep de 60% do cash flow disponível, após serviço da dívida permitida, para 30%, a afetar na proporção de 15% ao reembolso antecipado obrigatório e 15% ao reforço das Contas Reserva”. Isto significa que essas provisões passam a corresponder a 30% (em vez de 60%) do cash flow disponível após pagamento das dívidas quando vence a maturidade e 15% são canalizados para reembolso antecipado obrigatório. Os restantes 15% serão usados para reforçar as contas reserva.

A nota enviada à CMVM frisa ainda que a SAD leonina “procedeu à regularização de todas as obrigações pecuniárias vencidas, encontrando-se assim em cumprimento perante os bancos”.

Tendo em conta esta situação, esta quinta-feira, o vice-presidente do Sporting Francisco Salgado Zenha reforçou que a SAD leonina está hoje em cumprimento com os bancos, um dia depois de ter sido confirmado o acordo de reestruturação financeira. “As dívidas que existiam com os bancos foram sanadas, estamos em cumprimento”, afirmou o ‘vice’ do clube e também administrador da SAD do Sporting, em declarações aos jornalistas, abordando a negociação concluída com Millennium BCP e Novo Banco.

“Nós, a partir de hoje, temos oportunidade de ir comprando gradualmente os VMOC e vamos fazê-lo, mediante as nossas possibilidades”, frisou Francisco Salgado Zenha, salientando ainda a redução de 50 para 30% da afetação do excesso da venda de passes de futebolistas.

O dirigente ‘verde e branco’ disse não estranhar a desvalorização dos VMOC, para um total de 40,5 milhões de euros, originalmente subscritas a um euro por BCP e Novo Banco, num total de 135 milhões. “Há muitos motivos para isso, entre os quais a própria desvalorização da ação do Sporting. Os bancos, que defendem sempre os seus interesses, também entenderam que este é um valor razoável para cada ação do Sporting”, referiu.

Salgado Zenha realçou ainda existência de melhores condições para o clube, além das que foram divulgadas no comunicado enviado à CMVM, decorrentes da renegociação do acordo original, datado de 2014.

“O objetivo de qualquer empresa é ter a situação financeira e a responsabilidade com os seus parceiros estável. O que conseguimos com este acordo foi sanar dívidas que estavam por regularizar”, sublinhou, acrescentando que foi feita a “regularização da situação de dívida vencida com os bancos, uma vez que, desde o verão de 2017, que o Sporting estava em situação de ‘waiver’ [incumpridor], e, finalmente, está em cumprimento”.

Apesar disso, o responsável ‘leonino’ foi comedido quanto à saúde financeira da SAD, salientando que “o reforço da equipa ou o investimento a ser feito no futebol vai ser sempre dentro das possibilidades”. “O Sporting está muito longe de uma situação de total estabilidade. Estamos no caminho certo, fizemos muita coisa em pouco tempo: um empréstimo obrigacionista em condições difíceis, terminámos esta renegociação e regularizámos dívida”, recordou.

Sporting está a ter apoios que não são permitidos a outros clubes, diz Fernando Gomes

O administrador para a área financeira do FC Porto SAD, Fernando Gomes, considerou esta quinta-feira que o Sporting, perante a reestruturação da sua divida à banca, “está a ter alguns apoios que não são permitidos a outros clubes”.

Questionado sobre se a reestruturação poderia ser desleal para os ‘rivais’ FC Porto e Benfica, Fernando Gomes, que falava durante a apresentação das contas finais do exercício de 2018/19 da SAD portista, no Estádio do Dragão, não se inibiu de responder.

“Não quero estar a falar da situação do Sporting. Espero que o Sporting faça o que for possível para resolver a sua situação. A verdade é que o Sporting está a ter alguns apoios que não são permitidos a outros clubes”, disse.

(Notícia atualizada a 10 de outubro com mais informações)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Sporting reestrutura dívida com BCP e Novo Banco. Obtém “perdão” de 94,5 milhões de euros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião