Portugal financia-se em 1.250 milhões com juros menos negativos

Portugal foi esta quarta-feira aos mercados levantar 1.250 milhões de euros e, ao contrário do que tem acontecido nos últimos leilões, desta vez os custos não baixaram.

Portugal foi esta quarta-feira aos mercados levantar 1.250 milhões de euros em dívida de curto prazo e, ao contrário do que tem acontecido nos últimos leilões, desta vez os custos com o “empréstimo” dos investidores não baixaram. Ainda assim, a República continua a financiar-se com juros negativos.

Foram realizados dois leilões esta manhã e, em ambos os casos, o Tesouro português registou taxas de juro menos negativas do que nas anteriores operações comparáveis, algo que já seria expectável em função das últimas decisões do Banco Central Europeu (BCE) relativamente à taxa de depósitos.

O IGCP obteve 350 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a três meses com uma taxa de -0,475%. Compara com a taxa de -0,563% observada numa leilão semelhante realizado em agosto. No leilão de bilhetes com maturidade de 11 meses, foram levantados 900 milhões de euros a um juro de -0,45%. É também uma taxa menos negativa do que se registou na operação de agosto (-0,55%). A procura da parte dos investidores enfraqueceu ligeiramente, mas continuou robusta face às pretensões da agência liderada por Cristina Casalinho.

Juros nos leilões invertem

Fonte: IGCP

Este foi o último leilão de dívida de curto prazo do ano para Portugal e o resultado parece demonstrar, para já, uma inversão na tendência dos juros, que tinham vindo a ficar cada vez mais negativos no último ano à boleia da política monetária. No entanto, com a decisão de criar dois escalões na taxa de depósitos, o BCE acabou por dar fôlego aos bancos (são menos penalizados com o atual esquema de tiering) e deu um novo rumo às taxas de juro nos mercados.

Apesar de tudo, Portugal continua a beneficiar do atual ambiente de juros baixos na Zona Euro, com os investidores a não se importarem de “pagar” para emprestar dinheiro ao país.

“Face ao último leilão comparável, as taxas subiram ligeiramente”, notou Filipe Silva, do Banco Carregosa. “Portugal volta a registar taxas de juros negativas dos leilões de dívida de curto prazo, movimento que está em sintonia com o que tem acontecido com toda a dívida soberana europeia, e perto dos mínimos históricos alcançados nos leilões do mês de agosto quando o mercado de dívida registou máximos de sempre. A política monetária expansionista do BCE continua a influenciar as taxas de juro negativas de grande parte da dívida pública dos países europeus, taxas essas que deverão manter a tendência negativa condicionadas pelo abrandamento económico”.

(Notícia atualizada às 11h10)

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