Em crise, “Portugal tem margem” para ter défice, “mas tem de ser credível” na redução da dívida

  • ECO
  • 15 Outubro 2019

Governador do Banco de Portugal diz que o país tem folga para poder expandir a política orçamental, mas isso não pode significar o fim do compromisso na redução da elevada dívida pública.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, diz que o país tem margem para expandir a política orçamental e registar défices para combater uma crise económica, mas considera que o país deve manter a credibilidade na trajetória descendente da dívida.

“Tem margem para o fazer, mas tem de ser credível quanto à trajetória futura da dívida em termos de rácio do PIB. Se essa margem for usada de forma que comprometa a sustentabilidade – isto é, não um uso temporário, mas permanente –, se não houver um crescimento”, afirmou Carlos Costa em entrevista ao Jornal de Negócios (acesso pago), onde abordou apenas questões económicas.

O governador adianta que, em Portugal, a “política orçamental está muito dependente dos níveis de endividamento público”. Os últimos dados apontam para uma dívida pública de 252 mil milhões de euros em agosto, com o rácio face ao Produto Interno Bruto (PIB) a baixar previsivelmente para os 119,3% no final deste ano.

Segundo Carlos Costa, Portugal “tem não só de satisfazer as regras orçamentais da União Europeia, mas sobretudo continuar a ser credível do ponto de vista dos mercados, o que significa que é possível que haja alguma capacidade para acomodar os impactos de uma crise económica através do funcionamento dos estabilizadores [automáticos]”.

“Mas não temos margem para uma política orçamental tão ativa como, por exemplo, a Alemanha”, sublinhou.

Na mesma entrevista, o governador do banco central português disse ainda que o Banco Central Europeu (BCE) fez o que tinha a fazer no sentido de usar a ferramenta da política monetária para animar a economia. E esclareceu que o apelo de Mario Draghi, presidente do BCE, para que sejam os países a avançar agora com estímulos orçamentais significa que “a política monetária acomodatícia é necessária, mas já não chega” e precisa de ser complementada pela política orçamental.

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