Carlos Moedas: “A indústria portuguesa tem oportunidades no digital”

  • ECO
  • 17 Outubro 2019

O Comissário Europeu responsável pela Investigação, Ciência e Inovação diz ter aprendido que a Europa tem muito mais força do que se pensa, sobretudo na transição que a indústria está a passar.

A indústria está em mudança e a Europa pode retomar a liderança mundial na transformação digital, segundo Carlos Moedas. O Comissário Europeu em funções até ao final de outubro acredita que o calçado e o azeite português são exemplos de adaptação à nova indústria, mas também que Portugal ainda tem caminho a percorrer.

“A Europa foi campeã das infraestruturas da indústria, ou seja, a internet foi aqui inventada. Mas depois perdemos a segunda batalha do digital e do virtual. O grande desafio é como vai ser o futuro e não sabemos o que vai ser o futuro, mas vai estar entre os dois. É aí que a luta se vai deparar. Os norte-americanos vêm do digital e nós do lado das infraestruturas e da engenharia, em que somos muito bons, e o mundo futuro vai ser uma mistura entre os dois“, afirmou Carlos Moedas, numa entrevista por ocasião da conferência Fábrica 2030 que celebra os aniversários do ECO (3º aniversário) e da Fundação de Serralves (30º aniversário).

O Comissário Europeu responsável pelas áreas da Investigação, Ciência e Inovação diz ter aprendido que a Europa tem muito mais força do que as pessoas pensam, sobretudo nesta transição em que a indústria passa de ser apenas metálica e concreta para ser uma fusão entre o físico e o digital.

“Portugal era um dos casos em que a indústria era vista apenas do seu lado físico e do plano da engenharia e tecnologia. A evolução que vemos em Portugal é muito interessante porque é o abrir para um horizonte em que a própria indústria deixa de ser a indústria do passado e passa a ser mais do que tecnologia“, afirmou.

Moedas aponta para o calçado e o azeite como setores em que a marca e o design ganharam destaque. Apesar destes exemplos de sucesso, considera que a gestão das PME (muitas vezes familiares) ainda tem de fazer caminho. “A indústria portuguesa tem variadíssimas oportunidades de fazer esta ligação com o digital. Penso que as aproveitou bem nos setores tradicionais, mas tem um caminho a fazer em setores como a biotecnologia ou a computação”, acrescentou.

A conferência Fábrica 2030, que focará sobre as temáticas que marcarão o futuro da indústria, vai ter lugar esta quinta-feira em Serralves. Além de Carlos Moedas, contará ainda com a participação de Álvaro Santos Pereira, António Mexia, Rui Moreira, Rui Miguel Nabeiro, Carlos Tavares, entre outros.

 

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