Construtoras espanholas dominam obras públicas da ferrovia

  • ECO
  • 19 Outubro 2019

Os espanhóis dominam 70% das grades obras da Infraestruturas de Portugal, o que leva o patrão da Mota-Engil a acusar o país vizinho de protecionismo, ainda que defenda retaliações.

Nas grandes obras da Infraestruturas de Portugal (IP), a quota espanhola é esmagadora: 70%. Ao Expresso (acesso pago), o presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS), diz que essa fatia é “desproporcionada, porque nunca existiu reciprocidade no mercado espanhol”. Na mesma linha, o líder da Mota-Engil acusa Espanha de protecionismo, mas não defende retaliações.

Para o líder da AECOPS, esta realidade “deve preocupar mais do que o sector, o próprio país, tal como acontece na banca”, já que está em causa uma espécie de dependência de entidades externas, que faz o país perder “capacidade de decisão e as empresas de afirmação na economia“, sobretudo porque não gozam da mesma abertura no mercado espanhol.

António Mota acrescenta: “Se pudesse também gostaria de ganhar obras em Espanha. Mas, não me deixam“. O presidente da Mota-Engil diz que sempre advertiu para o perigo da ofensiva espanhola. “Em Espanha, só as construtoras espanholas singram. Nem as portuguesas nem a de outros países conseguem ganhar obras”, diz o industrial ao semanário, mas não defende retaliações.

“Não sei as quotas. Mas sei que a obra pública é basicamente ferroviária, e em três concursos de valor conjunto de 300 milhões de euros, nós ficámos com um de 75 milhões de euros e o resto foi para construtoras espanholas. É fazer as contas”, sublinha António Mota. Como as adjudicações refletem descontos de 30% face ao preço-base, estão na verdade em causa 252 milhões de euros e a quota espanhola é de 70%, calcula o Expresso.

Alargando o cálculo a todo o universo (isto é, para além da ferrovia), nas obras acima dos 10 milhões de euros, a quota espanhola vale quase um terço. No que diz respeito aos 122 contratos acima dos 4 milhões de euros (1,3 mil milhões de euros), a quota desce para 20%.

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