Já há 117.000 milionários em Portugal com ajuda do imobiliário

Os número de pessoas no clube dos mais ricos cresceu em 2018. Com os ativos financeiros a recuarem, é a valorização dos ativos não financeiros que puxa pelo património.

Mais de 117 mil pessoas em Portugal têm uma riqueza superior a um milhão de dólares (equivalente a quase 900 mil euros). O número de ricos no escalão mais elevado aumentou em 2019 face ao ano anterior, sendo que mais de metade da riqueza diz respeito a ativos não financeiros, num ano em que o valor dos imóveis disparou no país.

“Entre as economias desenvolvidas, o número de milionários na Alemanha, França, Itália e Suécia deverão aumentar em linha com a média global. Canadá e Espanha deverão ter uma performance um pouco melhor e o Japão e Portugal muito melhor“, revela a décima edição do Global Wealth Report, desenvolvido pelo Credit Suisse Research Institute.

A riqueza global cresceu ao longo do ano passado a um ritmo “modesto”, tendo atingido os 70.850 dólares por adulto. Mais de metade dos adultos no mundo tem uma riqueza inferior a 10.000 dólares, enquanto apenas 1% dos milionários detém 44% do total da riqueza. “No entanto, a tendência de aumento da desigualdade moderou e a percentagem dos 1% no topo está mais baixo que no pico de 2016”, sublinha o relatório.

Em Portugal, existem 131.088 dólares por cada um dos 8,4 milhões de adultos. O montante representa quase o dobro do montante global e compara com os 109.362 dólares registados no final de 2017. A riqueza mediana subiu para 44.025 dólares, em comparação com 31.313 no ano anterior.

Além de a riqueza ter aumentado, também o número de mais ricos subiu e o número de mais pobres diminuiu. Do total, 14,7% têm menos de 10 mil dólares: são mais de 1,2 milhões de pessoas, o que fica abaixo dos 19,9% do ano anterior. A maioria — 4,6 milhões de pessoas ou 54,7% do total — têm entre 10 mil e 100 mil dólares, enquanto 2,45 milhões (29,3%) têm entre 100 mil e um milhão de dólares.

No clube dos mais ricos, há mais pessoas: são 117 mil os portugueses que detém mais de um milhão de dólares, o que representa 1,4% do total e compara com os 92 mil (1,1%) do total. A estimativa do Credit Suisse Research Institute é que este número cresça até aos 174 mil em 2024.

A impulsionar os patrimónios em Portugal tem estado o boom imobiliário. Se a riqueza financeira por adulto recuou para 55.547 dólares (do anterior 56.214), a riqueza não financeira por adulto cresceu para 98.928 dólares (do anterior 96.857). A dívida por adulto manteve-se praticamente inalterada nos 23.387 dólares.

“Os movimentos nos preços das casas aproximam-se das alterações nos ativos não financeiros das famílias e têm estado relativamente controlados nos últimos anos”, nota o relatório, que aponta que descidas nos preços foram “raras” em todo o mundo. Por outro lado, “A Índia (+6%) e a China (+9%) estiveram entre os países que registaram um mercado imobiliário robusto, a que se juntaram, no topo, a Colômbia, Portugal, a Hungria e as Filipinas entre os 10% e os 13%, bem como a Argentina, onde os preços das casas subiram 45% na moeda local (mas apenas 11% em dólares norte-americanos)”.

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