Como os futebolistas gerem o seu dinheiro? Apenas 4% vai ao banco antes de investir

Futebolistas são poupados, gerem o seu próprio dinheiro e não contam com o banco na hora de investir. Estes são os resultados do primeiro estudo sobre literacia financeira no futebol português.

Futebolistas são poupados, gerem o seu próprio dinheiro e não contam com o banco na hora de investir.ECO

Apenas 4% dos jogadores de futebol em Portugal recorrem a conselhos dos bancos para investir em produtos financeiros como depósitos a prazo, PPR ou ações, enquanto metade aplica a suas poupanças depois de se aconselhar junto da família e amigos. Mais: 80% dos futebolistas dizem gerir os seus rendimentos sozinhos e apenas 3% permite que sejam agentes, contabilistas ou gestores a fazer a gestão do seu dinheiro.

Estas são algumas das conclusões do primeiro inquérito sobre o nível de literacia financeira dos jogadores de futebol realizado em Portugal, no âmbito do programa “Todos contam. E no futebol também”, promovido pelo Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF) em parceria com o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF).

Foram entrevistados mais de 400 jogadores dos vários campeonatos profissionais em Portugal — I Liga, II Liga, Campeonato Portugal e Campeonato Feminino — sobre temas relacionados com o planeamento do orçamento familiar, os hábitos e objetivos de poupança e práticas de investimento. O estudo é apresentado esta terça-feira em Bragança.

Alguns dos números contrastam com aquela que é a realidade entre a população em geral: por exemplo, confia mais nos bancos na hora de decidir o destino a dar ao seu dinheiro (60% pedem conselhos ao banco) do que os futebolistas (4%).

Fontes que influenciaram a escolha dos produtos financeiros

Fonte: SJPF

Quanto recebem os jogadores?

Toda a gente sabe que Ronaldo e Messi recebem milhões e milhões de euros por ano na Juventus e no Barcelona. Mas esta é uma realidade (e sonho) ao alcance de poucos. O estudo mostra que 30% (pelo menos) dos futebolistas a atuarem em Portugal recebem mais de 2.500 euros líquidos. Outros 26,4% responderam que auferem um salário entre 1.000 e 2.500 euros, enquanto 14% auferem rendimentos entre 500 euros e 1.000 euros. Menos de 2% não recebem qualquer salário. E 26% não quiseram responder à questão ou não sabiam.

O nível de rendimentos está relacionado com dois fatores: o campeonato em que jogam (recebem mais os que jogam na I Liga) e a idade (os jogadores mais velhos têm salários mais elevados). Já o nível de escolaridade parece não ter um impacto significativo nos rendimentos.

Falando em habilitações literárias: quase 60% dos futebolistas tem o ensino secundário completo e 8% têm mesmo um curso superior completo (licenciatura ou mestrado). Números que Joaquim Evangelista, presidente do SJFP, elogia. “A conclusão da escolaridade obrigatória, através do programa Qualifica, tem sido um dos alicerces do projeto de educação e formação do sindicato, sem o qual seria muito difícil diversificar a oferta ao nível dos conteúdos formativos e promover opções para a transição de carreira, seja dentro da área desportiva, seja noutros setores de atividade”, diz o dirigente sindical.

Responsável pela gestão do rendimento

Fonte: SJPF

Poupar a pensar na reforma

Outra boa notícia: com os níveis de poupança dos portugueses em mínimos, os jogadores contrariam a tendência. Nove em cada dez futebolistas (92,2%) tem por hábito poupar e oito em cada dez (81,4%) dizem mesmo poupar com regularidade. Mas qual é o objetivo desta poupança?

“A principal razão indicada pelos jogadores é a necessidade de utilizar os montantes poupados após o final da carreira futebolística ou na reforma, facto que poderá estar relacionado com a natureza da carreira futebolística de curta duração e desgaste rápido”, indica o estudo. Cerca 40% dos jogadores põem dinheiro de lado para o período após pendurar as chuteiras, mostram os dados do inquérito. Por outro, 22% dizem que poupa com objetivo de comprar um bem duradouro: casas, carro ou mobiliário.

Fonte: SJPF

“Em média, os jogadores de futebol profissional revelam atitudes financeiras mais ponderadas na avaliação de despesas presentes e na preocupação com o futuro do que a população portuguesa em geral”, destaca o estudo.

Os jogadores com salários mais elevados são os que conseguem poupar mais e, “consequentemente, são conseguiriam suportar as suas despesas por um período de tempo mais alargado em caso de perda da principal fonte de rendimento”. Metade dos futebolistas diz conseguir suportar as despesas do seu agregado familiar por mais de seis meses e mais de um terço afirma conseguir suportar estas despesas por mais de um ano.

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