Impresa duplica lucros com ajuda das chamadas de valor acrescentado na SIC

A dona da SIC mais do que duplicou os lucros entre janeiro e setembro, com a ajuda de um aumento de 94% nas receitas com chamadas de valor acrescentado. Dívida recuou mais de dez milhões de euros.

O crescimento das audiências da SIC continua a puxar pelas contas da Impresa IPR 2,46% . As receitas com chamadas de valor acrescentado quase duplicaram entre janeiro e setembro, o que ajudou o grupo de media a fechar estes nove meses com lucros de 2,9 milhões de euros, mais do dobro dos 1,45 milhões registados no período homólogo.

Os telefonemas estão a ganhar peso nas contas da Impresa, que viu os proveitos das chamadas de valor acrescentado em programas da SIC ultrapassarem os da venda de títulos como o Expresso. Entre janeiro e setembro, a circulação dos títulos da Impresa rendeu 7,2 milhões de euros (uma subida de 4,5%), um número que compara com os 8,89 milhões de euros gerados com chamadas telefónicas de valor acrescentado em concursos e programas na televisão.

Esta rubrica registou um crescimento inédito de 94,2%. E surge num período marcado pela contratação da apresentadora Cristina Ferreira ao canal concorrente TVI, um dos fatores que levou a SIC a chegar — e a manter-se — líder de audiências na TV portuguesa. Em causa, um share médio de 19,2% entre janeiro e setembro, mais 2,5 pontos percentuais face a 2018.

Apresentação dos resultados da emissão dos títulos de obrigação da SIC - 05JUL19
Da esquerda para a direita: Francisco Pedro Balsemão (CEO da Impresa), Cristina Ferreira (apresentadora) e Daniel Oliveira (diretor-geral de entretenimento).Hugo Amaral/ECO

Lucros duplicam, dívida cai

A Impresa fechou os primeiros nove meses de 2019 com um resultado líquido positivo de 2,92 milhões de euros, mais do dobro dos 1,45 milhões obtidos no período homólogo do ano passado. Já os lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) da Impresa cresceram 17,7%, para 14,76 milhões de euros.

As receitas da Impresa cresceram 4% e fixaram-se em 129,98 milhões de euros, a esmagadora maioria com o negócio da televisão, que rendeu ao grupo 110,5 milhões, mais 4,9% do que no ano passado. Em sentido inverso, as receitas com o negócio de publishing caíram 1%, para os 17,6 milhões de euros. Analisando por segmentos, as receitas publicitárias do grupo recuperaram 5,3%, para 81,9 milhões, enquanto a subscrição de canais de TV recuou 11,8%, para 25,9 milhões de euros.

Numa declaração enviada ao ECO, o presidente executivo da Impresa considera 2019 “um ano marcante” para o grupo. “Conseguimos duplicar os resultados líquidos, alcançando assim os melhores nove meses do ano desde 2014. Por tudo isto, estamos convictos de que vamos melhorar os nossos resultados em 2019, aumentando não só o EBITDA como ainda os resultados líquidos, e mantendo igualmente a tónica na redução da dívida, que caiu 10,5 milhões de euros neste período”, apontou.

2019 tem sido um ano marcante para o grupo Impresa, e no terceiro trimestre mantivemos o ritmo e a dinâmica dos anteriores. A liderança da SIC e do Expresso contribuiu para um crescimento nas receitas, incluindo as publicitárias.

Francisco Pedro Balsemão

Presidente executivo da Impresa

Não foram só os lucros que subiram. Os custos operacionais do grupo também aumentaram, na ordem de 2,5%, para 115,21 milhões de euros, um agravamento que foi mais acelerado no último trimestre. A empresa justifica este aumento com a “competitividade da grelha da SIC generalista” e com o próprio “aumento de atividade” das chamadas de valor acrescentado — que, apesar de serem uma fonte de rendimento, também representam um custo.

Neste período, onde se inclui o mês de julho no qual a SIC concluiu uma emissão de obrigações de 51 milhões de euros para aumentar a maturidade da dívida, o passivo da Impresa recuou 10,5 milhões de euros. No final de setembro, o grupo devia 179,1 milhões de euros.

Estes dados representam uma melhoria expressiva nas contas do grupo de media, que se prepara para enfrentar um novo concorrente. Em causa, o grupo de media que deverá “nascer” da fusão entre a Cofina (dona da CMTV) e a Media Capital (dona da TVI). O processo está suspenso na Autoridade da Concorrência, à espera do parecer vinculativo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

A Cofina vai apresentar resultados a 7 de novembro. Já a Media Capital, até onde foi possível apurar, ainda não tem data para prestar contas.

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