SIC aumenta lucros da Impresa para 3,5 milhões. É o melhor semestre em cinco anos

Num semestre marcado pela vinda de Cristina Ferreira da TVI, a SIC viu os lucros aumentarem 38%, para 3,5 milhões de euros. Chamadas de valor acrescentado já rendem mais que a publicidade no Expresso.

A reestruturação da Impresa IPR 0,46% começou a dar frutos. O grupo fechou o semestre a lucrar mais um milhão de euros do que há um ano, e só não ganhou mais por causa dos prejuízos do primeiro trimestre. No total, o resultado líquido semestral subiu 38% em termos homólogos, com os lucros a fixarem-se em 3,5 milhões de euros, num período marcado pela chegada da apresentadora Cristina Ferreira ao ecrã da SIC.

O período de janeiro a março tinha ficado marcado pela pressão do investimento que a Impresa fez nos novos estúdios da SIC, outro dos elementos centrais da reestruturação do grupo e do canal privado. Já sem este condicionamento, a empresa conseguiu fechar o semestre com o maior lucro registado em cinco anos. Em causa, o “bom desempenho verificado em todas as linhas de receitas” da televisão, exceto na subscrição de canais, refere a Impresa no relatório com os resultados do semestre.

No início do ano, o Programa da Cristina rapidamente conquistou a liderança de audiências nas manhãs em dias úteis. E, já no final do semestre, a SIC conseguiu mesmo vencer a TVI nas audiências em horário nobre, que é o período mais rentável da TV generalista. Mas, apesar de a Impresa ser vaga nas referências à apresentadora Cristina Ferreira, o certo é que o grupo mais do que duplicou as receitas com chamadas de valor acrescentado, muito comuns neste tipo de programas. Esta linha de receita — chamadas “IVR” — cresceu 115,4% no semestre, gerando receitas de 6,4 milhões de euros para o grupo.

Chamadas de valor acrescentado na SIC dão mais que pub no Expresso

A par da subida dos lucros, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) cresceu mais de 12%, para 11,6 milhões de euros, suportado no segmento de TV. Mas, em sentido inverso, o EBITDA de publishing recuou 89,4%, para pouco mais de 38 mil euros, fruto de uma queda de dois dígitos nas receitas com “produtos alternativos”.

É um dado que evidencia a tendência do crescimento da TV. Desde logo, porque a Impresa passou a gerar mais receitas com as chamadas de valor acrescentado na SIC do que com a publicidade explorada no segmento de publishing, de onde se destaca o Expresso. Foram 6,4 milhões de euros de receitas com as chamadas, contra 6,2 milhões com a publicidade na imprensa.

Porém, no cômputo geral, todos estes negócios acabaram por gerar receitas totais de perto de 88,8 milhões de euros para a dona da SIC, uma subida de 3,2% no semestre, comparativamente com o ano passado.

Francisco Pedro Balsemão fala em “semestre histórico” para a Impresa

Francisco Pedro Balsemão já reagiu a estes resultados. Numa declaração enviada ao ECO, o presidente executivo fala num “semestre histórico” para o grupo.

“A SIC mudou para Paço de Arcos, construímos novos estúdios de informação com tecnologia pioneira e a SIC regressou à liderança 12 anos e meio depois, tendo reforçado os seus resultados durante cinco meses consecutivos”, apontou o gestor. “Foi também neste período que levámos a cabo, pela primeira vez na história dos media em Portugal, um empréstimo obrigacionista cujo emitente era um canal de televisão, que foi muito bem-sucedido”, recordou.

As contas do grupo mostram ainda que a melhoria dos resultados foi acompanhada por um agravamento das despesas. Os custos operacionais subiram 1,9% no semestre, para 77,19 milhões de euros, apesar de o desempenho do segundo trimestre ter registado uma estabilização, com queda marginal dos custos, na ordem dos 0,1%.

“Estamos convictos de que vamos melhorar os nossos resultados em 2019, aumentando não só o EBITDA como ainda os resultados líquidos, e mantendo igualmente a tónica na redução da dívida, que reduzimos em 18,2 milhões de euros neste primeiro semestre”, estima o presidente executivo do grupo. Facto que permitiu à empresa fechar o mês de junho com uma dívida líquida de 167,5 milhões de euros, uma redução de 9,8%.

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