Mota-Engil financia-se em 140 milhões. Ordens foram de mais de 191 milhões de euros

A procura por obrigações da construtora superou os 140 milhões de euros definidos na oferta revista. Só no segmento do retalho, houve 6.558 investidores a darem ordens.

A Mota-Engil conseguiu os 140 milhões de euros de financiamento que pretendia, mas os investidores queriam mais. A procura dos investidores pelas obrigações da construtora superou a oferta em 51,5 milhões de euros (1,36 vezes), ascendendo a cerca de 191,47 milhões de euros.

Só o segmento geral (retalho) ultrapassou o valor total da emissão, com 6.558 investidores a apresentarem uma procura representativa de 146,47 milhões de euros (rácio de 1,54x para o valor atribuído ao retalho), revelam os resultados desta emissão de dívida.

A forte procura pelos títulos de dívida da empresa liderada por Gonçalo Moura Martins já era previsível, tendo em conta que há uma semana a empresa anunciou a revisão em alta do valor da emissão, com este a quase duplicar face aos 75 milhões de euros inicialmente previstos.

Os 140 milhões de euros foram captados através de três operações levadas a cabo em simultâneo. Por um lado, uma oferta pública de subscrição (OPS) de novos títulos: Obrigações Mota-Engil 2024. A par da possibilidade de comprar estas obrigações, decorreram também duas Ofertas Públicas de Troca (OPT). Investidores com títulos que venciam em 2020 e 2021 podiam trocá-los por obrigações que atingem o prazo mais tarde. “As Ofertas Públicas de Troca visam permitir à Mota-Engil substituir parte da sua dívida com vencimento em 2020 e/ou em 2021 por dívida com reembolsos de capital em 2023 e 2024”, explicava o prospeto.

Na OPS a procura válida atingiu 131,6 milhões de euros, tendo sido colocados 116,72 milhões de euros. Desse total, 36,59 milhões foram atribuídos aos investidores de retalho. Já os restantes 23,28 milhões de euros foram colados através das OPT.

No segmento de retalho da OPS, a grande maioria dos investidores deu ordens abaixo de 5 mil euros: concretamente, 3.931 investidores. Já 581 investidores subscreveram entre 5.500 e 10 mil euros, 1.401 entre 10.500 e 100 mil euros e 66 mais de 100 mil euros.

Oferta “cumpriu com todos os objetivos”. Refinanciamento garantido por dois anos

“Com esta emissão obrigacionista procuramos assegurar fontes de financiamento diversificadas, procurando otimizar aquela que é a nossa estrutura de custos e alargar a maturidade da nossa divida”, disse José Pedro Freitas, CFO da Mota-Engil, durante a apresentação dos resultados desta emissão, salientando que esta “concretizou todos os objetivos definidos pela administração”.

Esta emissão acontece quase um ano depois da última operação do género que a Mota-Engil realizou em novembro de 2018, e em que captou 110 milhões de euros junto dos investidores do retalho.

Gonçalo Moura Martins, CEO da construtora, à margem da divulgação dos resultados da oferta de dívida que decorreu na Euronext Lisbon, nesta segunda-feira, disse que o refinanciamento da dívida da Mota-Engil fica agora assegurado durante “pelo menos dois anos”. “O ingresso destes fundos vai servir para fazer uma gestão da nossa dívida e das necessidades de maneio da empresa de uma forma muito mais racional, mais barata, e até do ponto de vista do alongamento da sua maturidade é muito importante porque dá uma maior previsibilidade à gestão financeira da empresa “, acrescentou ainda a esse propósito.

Já no que diz respeito ao interesse dos investidores por esta emissão de dívida, o CEO da construtora diz que este “é um momento em que a pessoas procuram para as suas poupanças produtos alternativos mais rentáveis, de investimento”, lembrando que neste âmbito “as obrigações são investimentos interessantes”.

(Notícia atualizada às 17h52)

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