Seguros e crédito dominam fintech. Maiores empresas em Portugal financiaram-se em 210 milhões

A chegada a Portugal dos grandes players internacionais Revolut e Monese ajudou a dinamizar o ecossistema. Só nos primeiros três meses de 2019, o capital de risco captado subiu mais de 200%.

O universo das fintech está cada vez mais em Portugal. São já mais de 100 empresas, num setor que ficou nos últimos meses marcado pela chegada de dois grandes players internacionais: a Revolut e a Monese, que estabeleceram operação em Portugal. Os segmentos dos seguros e do crédito dominam, segundo revela o Portugal Fintech Report 2019.

“O ecossistema português está a mover-se a um ritmo acelerado. As soluções disruptivas criadas por portugueses estão a captar o interesse de parceiros e investidores à medida de que Portugal se torna uma referência como hub fintech“, aponta o relatório, apresentado esta quarta-feira em Lisboa.

As empresas do Top 30 (escolhidas com base numa série de indicadores como funcionários, investimento ou receitas), 17% são insurtech (seguradoras), enquanto outras 17% são do setor de empréstimos e crédito. Além dos dois segmentos que lideram o ecossistema, há ainda empresas de pagamentos, finanças pessoais, infraestruturas financeiras ou blockchain.

“Dezasseis das empresas do top 30 foram fundadas nos últimos três anos. As insurtech e as de lending and credit são os segmentos mais populares”, explica o relatório, que aponta para “mais de 210 milhões de euros captados junto de venture capital nacional e internacional“.

Fintech do top 30 em Portugal

Neste top, apenas nove empresas conseguiram mais de dois milhões de euros de financiamento. Apesar de o relatório não especificar os nomes das empresas, refere que é no setor de regtech (gestão de processos regulatórios) e cibersegurança que foi levantado o maior montante, seguindo-se o segmento de blockchain e cripto.

A atividade de Venture Capital disparou em Portugal, com 21 operações registadas apenas entre janeiro e março. O montante fechado de 85 milhões de euros representa um aumento de 203% face ao mesmo período do ano passado, com os investidores a identificarem o talento como o principal ponto positivo das fintech em Portugal.

Supervisores fazem balanço positivo da aposta nas fintech

A par do retrato do setor no relatório em questão, a Portugal Fintech é também um dos parceiros do hub de inovação Portugal FinLab, em conjunto com os reguladores financeiros Banco de Portugal (BdP), Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

Em duas edições do programa, que pretende promover a comunicação entre empreendedores e reguladores, houve 40 candidaturas (30% de projetos internacionais) e 10 finalistas. Por um lado, os supervisores ajudam as fintech a navegarem o sistema regulatório. Por outro, as três entidades também têm ganhos, numa altura em que se tentam adaptar à inovação da tecnologia financeira.

Criada através da coordenação das três autoridades financeiras competentes em Portugal, em conjunto com a Portugal Fintech, o Portugal FinLab é a plataforma muito dinâmica, que provou que é possível melhorar o envolvimento e preservar os benefícios da inovação financeira, enquanto se mitigam os sérios riscos potenciais.

Filomena Oliveira

Ex-vice-presidente da CMVM

“Após a crise financeira, a perceção da inovação como um dos maiores contributos para o desenvolvimento financeiro e crescimento do bem-estar foi desafiado e os riscos e benefícios para a sociedade questionados”, afirmou Filomena Oliveira, ex-vice-presidente da CMVM. A plataforma Portugal FinLab “provou que é possível melhorar o envolvimento e preservar os benefícios da inovação financeira, enquanto se mitigam os sérios riscos potenciais”, considerou.

Já o administrador do BdP Hélder Rosalino acrescentou que “a primeira edição do Portugal FinLab tem o mérito de dar aos reguladores conhecimento específico de novas tecnologias a serem usadas nos serviços financeiros, novos serviços lançados para servir as necessidades dos clientes, novos modelos de negócio para um serviço existente, etc.”.

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