Bancos “não podem ficar sentados” à espera do “tsunami” das fintech e bigtech, avisa Carlos Costa

Governador avisa bancos que não podem ficar sentados à espera que o "tsunami" das bigtech e fintech passe. "Não passará" e é bom que "fujam da costa" rapidamente para dominar a evolução" tecnológica.

Carlos Costa já nos habituou a explicar conceitos mais ou menos complexos recorrendo a imagens simples, como a comparação da economia a um avião: se um motor falha, é bom que o outro esteja em boas condições. Esta terça-feira, o governador do Banco de Portugal socorreu-se de outra figura para caracterizar a digitalização dos serviços e a entrada de novos atores, como Revolut, Google ou Facebook: “Não vai desaparecer o financiamento [nem a captação depósitos], mas coloca-se a questão de quem o fará. E quem está e o faz hoje tem uma vantagem, mas não pode ficar sentado em cima dessa vantagem à espera que esta vaga passe. Esta vaga não passa. E a única forma é, se permitem a imagem, como num tsunami: correr para o longe da costa o mais rápido possível e observar e dominar a evolução de forma adequada“.

O governador falava na conferência “Banca do Futuro”, organizada pelo Jornal de Negócios, em Lisboa. A imagem do tsunami é elucidativa para mostrar como onda de tecnológicas e a digitalização da banca está a colocar desafios aos modelos de negócios da banca tradicional.

Carlos Costa não tem dúvidas de que os serviços de concessão de crédito e captação de depósitos vão continuar a existir, assim como vai continuar a existir regulação e supervisão destas atividades. A questão é outra: quem serão os players nestas atividades?

Carlos Costa aproveitou a sua intervenção, ouvida atentamente por vários presidentes e responsáveis de bancos em Portugal, para responder às principais críticas do setor da banca tradicional: a de que não estão a jogar com as mesmas regras de que as novas tecnológicas.

“As autoridades competentes não devem interromper a dinâmica em curso”, considerou Carlos Costa. “Mas elas devem enquadrá-la e assegurar nomeadamente a neutralidade da regulação em relação à tecnologia, isto é, a aplicação de um principio muito simples: a mesma atividade, o mesmo risco tem de ter as mesmas regras, a mesma regulação e a mesma supervisão“, acrescentou. Há dias, Vítor Constâncio, ex-vice presidente do Banco Central Europeu, disse o mesmo.

Segundo o governador, “não pode haver de forma nenhuma vantagens regulatórias ou prudenciais resultantes de uma atividade ser conduzida por uma entidade não bancária ou por uma entidade registada fora de um dado território”.

Carlos Costa sublinhou que se uma tecnológica vai captar poupanças, então isto constitui uma atividade bancária que necessita da regulação e supervisão adequada. “Se alguém recolhe poupança e a aplica e o risco fica do lado do aforrador ou do cliente, essa atividade tem de ter uma regulação e uma supervisão diferente daquela que tem de ser aplicada e que tem de ser muito mais exigente do que para os que recolhem poupança e a aplicam com garantia de liquidez e garantia de recolha do principal no momento do resgate”, frisou.

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