Centeno, “Ronaldo das Finanças”, compara “avanços e recuos” de Trump à imprevisibilidade de CR7

  • Lusa
  • 5 Novembro 2019

Em entrevista ao Dier Spiegel, Mário Centeno comparou Donald Trump com Cristiano Ronaldo e sublinhou que “as tensões comerciais estão a prejudicar o crescimento" da Europa.

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, admite, em entrevista ao Der Spiegel, que as tensões comerciais estão a prejudicar o crescimento económico e comparou os constantes “avanços e recuos” da administração norte-americana à imprevisibilidade do futebolista Cristiano Ronaldo.

Numa curta entrevista à publicação alemã, partilhada no sítio de Internet do Conselho da União Europeia, Centeno, que em 2017 foi ‘batizado’ de “Ronaldo do Ecofin” pelo então ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, coloca-se agora antes na pele de um defesa que tenha pela frente Ronaldo, um jogador irrequieto e imprevisível, como o Presidente Donald Trump.

Questionado sobre se o abrandamento do crescimento da economia europeia pode agravar-se ainda mais caso o Presidente dos Estados Unidos concretize uma ameaça recorrente e imponha impostos sobre os automóveis, Centeno admitiu que “as tensões comerciais estão a prejudicar o crescimento” e “toda a gente está preocupada”, até face à constante incerteza.

“Temos assistido a muitos avanços e recuos por parte da administração norte-americana relativamente à sua política (comercial). Em futebol, é como quando o defesa tem pela frente um jogador nervoso”, declarou o ministro das Finanças português.

Questionado sobre se a Europa necessita então de um Cristiano Ronaldo, Centeno retorquiu que, seguindo essa analogia, a Europa precisa antes é de “aprender a defender contra alguém imprevisível com Cristiano Ronaldo”.

“Para tal, precisamos de ser vigilantes, ao mesmo tempo que promovemos o multilateralismo e o comércio livre”, declarou o presidente do Eurogrupo.

Sobre o acentuado abrandamento da economia alemã, Mário Centeno afirmou-se convicto de que o ‘motor’ da economia europeia irá ultrapassar este momento menos bom, até porque a Europa não está “de modo algum em modo de crise”, e “todas as previsões para 2020 são positivas, até para a Alemanha”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Centeno, “Ronaldo das Finanças”, compara “avanços e recuos” de Trump à imprevisibilidade de CR7

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião