Presidente chinês promete abertura gradual do mercado doméstico

  • Lusa
  • 5 Novembro 2019

"Não existe nenhum país que possa resolver sozinho as dificuldades que o desenvolvimento da economia global enfrenta", diz o presidente chinês, Xi Jinping.

O Presidente da China, Xi Jinping, prometeu uma abertura gradual do mercado doméstico ao investimento estrangeiro, mas não ofereceu medidas concretas, numa altura em que enfrenta uma guerra comercial com os Estados Unidos.

Xi inaugurou em Xangai, a “capital” económica do país, a Feira Internacional de Importações da China, um evento que serve para promover o país asiático como importador.

O líder chinês prometeu “expandir a abertura do mercado” e seguir em frente com as promessas de redução das restrições ao investimento estrangeiro.

Xi Jinping disse ainda que “não existe nenhum país que possa resolver sozinho as dificuldades económicas”, mas que o mundo deve antes “caminhar na mesma direção, rumo a um mercado global” e com cada vez menos barreiras comerciais.

“Não existe nenhum país que possa resolver sozinho as dificuldades que o desenvolvimento da economia global enfrenta”, disse.

Sem referir a guerra comercial que Pequim trava com Washington, Xi Jinping condenou o protecionismo e defendeu a globalização económica, que considerou representar uma “tendência da História” e que, “como a corrente dos grandes rios do mundo”, nada pode parar o seu movimento”, nem mesmo “as rochas por debaixo da água”.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, participam no evento, que envolve 3.000 empresas de 150 países, que procuram assim acesso ao emergente mercado chinês.

Portugal está representado pelo secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres. Cerca de duas dezenas de empresas portuguesas participam no certame.

No ano passado, as potências ocidentais não enviaram delegações ao mais alto nível para participar na primeira edição daquele evento, refletindo as tensões comerciais com a China.

Pequim reduziu, entretanto, taxas alfandegárias e eliminou outras restrições sobre as importações, mas nenhuma destas medidas responde diretamente às reclamações dos EUA e alguns países europeus, que exigem mudanças estruturais nas políticas industriais chinesas.

Xi Jinping enfrenta já uma prolongada guerra comercial com os EUA, que impuseram taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares de bens oriundos do país asiático.

A China tem tentado recrutar os países europeus como aliados na guerra comercial, mas Paris e Berlim ecoam também as reclamações norte-americanas sobre as práticas comercias chinesas, apesar de se oporem às táticas do líder norte-americano, Donald Trump.

As negociações China – União Europeia sobre um acordo abrangente para o investimento arrastam-se há mais de cinco anos. Os dois lados esperam concluir o acordo até ao final do próximo ano.

No seu mais recente relatório, a Câmara do Comércio da União Europeia em Pequim afirma que as empresas europeias têm que percorrer um “estreito caminho pedregoso para entrar na China”, enquanto os investidores chineses têm “uma autoestrada aberta” para a Europa, onde realizaram nos últimos anos várias aquisições em setores estratégicos, incluindo em Portugal.

O mesmo documento afirma que Bruxelas enfrenta o seu “momento Sputnik” nas suas relações com Pequim e que deve, se necessário, tornar o seu mercado comum menos aberto ao investimento chinês em certas áreas.

“Muitas empresas europeias desistiram de participar no mercado de compras governamentais na China devido ao tratamento injusto que enfrentam”, lê-se naquela nota.

“[A UE] devia pressionar [Pequim] a reformar as suas empresas estatais e sistema de compras públicas, ao restringir as ofertas de firmas chinesas nos concursos de compras públicas dentro da UE, enquanto a China continuar a adiar as suas próprias reformas”, propõe.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Presidente chinês promete abertura gradual do mercado doméstico

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião