Taxa de desemprego cai para 6,1% no terceiro trimestre. É um mínimo de 16 anos

INE revela valor da taxa de desemprego para o terceiro trimestre do ano. Taxa de desemprego está mais baixa do que a meta fixada pelo Governo para este ano, de 6,3%.

A taxa de desemprego recuou duas décimas para 6,1% no terceiro trimestre, colando-se ao mínimo dos últimos 16 anos, revelou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta trajetória acontece numa altura em que a conjuntura internacional aponta para um abrandamento económico e em que o Governo discute com os patrões e sindicatos a subida do salário mínimo para 2020. O INE diz que desde 2016 que há um “padrão” de aumento da população empregada entre o segundo e o terceiro trimestres.

“No terceiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego foi 6,1%, atingindo o valor mais baixo da série iniciada em 2011. Aquele valor é inferior em 0,2 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 0,6 p.p. ao do trimestre homólogo de 2018”, escreve o INE. É preciso recuar à série anterior da taxa de desemprego e que teve início em 1998 para encontrar um valor igualmente tão baixo – o que aconteceu no terceiro trimestre de 2003, quando a taxa de desemprego se situou em 6,1%.

No segundo trimestre, a taxa de desemprego tinha diminuído para 6,3%, menos cinco décimas que nos primeiros três meses deste ano, situando-se assim no valor mais baixo dos últimos 15 anos. Agora está em mínimos de 16 anos.

Os valores da taxa mensal de desemprego — que ao contrário dos revelados hoje através do Inquérito ao Emprego são ajustados da sazonalidade — apontavam para valores em torno dos 6,4%.

O Governo espera que o ano feche em 6,3%, de acordo com as previsões contidas no draft do Orçamento do Estado para 2020, que manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,9% este ano. O que significa que a taxa de desemprego no terceiro trimestre ficou melhor do que a meta anual do Executivo.

Menos desempregados e mais empregados

Para esta redução da taxa de desemprego contribuiu uma melhoria geral no mercado de trabalho, já que se registou uma redução do número de desempregados (tanto homólogo como trimestral), mas também um aumento na população empregada (também aqui em homólogo e trimestral).

“A população desempregada, estimada em 323,4 mil pessoas, diminuiu 1,5% (5,1 mil) em comparação com o trimestre anterior e 8,3% (29,3 mil) em relação ao terceiro trimestre de 2018. Na população empregada (4.947,8 mil pessoas) foi observado um acréscimo trimestral de 0,6% (31,1 mil) e um acréscimo homólogo de 0,9% (45 mil)”, avança o instituto estatístico.

O INE assinala que desde o terceiro trimestre de 2016 que se registam acréscimos na população empregada entre o segundo e o terceiro trimestres. O instituto de estatística fala mesmo num “padrão” e que se situa nos seguintes setores de atividade: “em particular nas atividades de alojamento, restauração e similares (14,5 mil; 4,6%) e nas atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas (15,4 mil; 24,6%)”.

Já em termos homólogos as melhorias são cada vez mais ténues. O reforço da população empregada face ao terceiro trimestre de 2018 traduziu-se num prolongamento da série de variações homólogas positivas iniciada no quarto trimestre de 2013, “mas em desaceleração desde o primeiro trimestre de 2018”. Aqui foram as atividades da saúde e de apoio social que puxaram pela população empregada.

No caso da população desempregada, as reduções trimestral e homóloga tiveram ambas origem no setor dos serviços.

No entanto, esta melhoria não foi sentida de igual forma por todo o tipo de desempregados. “A proporção de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses (longa duração) foi estimada em 52,4%, menos 0,7 p.p. que no trimestre anterior e mais 2,4 p.p. que no homólogo.” Ou seja, face há um ano os desempregados de longa duração não sentiram progressos face ao ano anterior.

No terceiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego foi superior à média nacional em cinco regiões do país: Região Autónoma dos Açores (7,3%), Alentejo (7,0%), Região Autónoma da Madeira (6,9%), Norte (6,6%) e Área Metropolitana de Lisboa (6,4%). Já a taxa de desemprego no Algarve (5,3%) e na região Centro (4,8%) ficaram abaixo daquele valor (6,1%).

(Notícia atualizada às 11h46 com mais informação)

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