Comissões nos grandes depósitos? Banco de Portugal vai tomar “decisão adequada”, diz Miguel Maya

Banco de Portugal está a analisar possibilidade de bancos cobrarem comissão nos depósitos de multinacionais e empresas públicas. Miguel Maya confia no regulador: "vai tomar decisão adequada".

Para Miguel Maya, presidente do BCP, o tema dos juros negativos nos depósitos dos grandes clientes “não é motivo de premência” para o BCP. Mas o líder do banco diz confiar nos reguladores: eles vão tomar a “decisão adequada” em relação à ação colocada pela APB para permitir aplicar comissões nas contas de institucionais, multinacionais e empresas públicas.

“Nós temos o nosso posto de observação e demos a nossa perspetiva. Que os reguladores obtenham as outras perspetivas que nós não temos e recolham essa informação”, começou por dizer Miguel Maya na conferência de apresentação de resultados. Isto para depois afirmar que está confiante “de que vão tomar uma decisão adequada”.

A Associação Portugal de Bancos (APB), que representa o setor, lançou um pedido ao supervisor para poder aplicar comissões nos depósitos de multinacionais e empresas públicas, segundo revelou na passada segunda-feira o presidente do BPI, Pablo Forero. Esta é uma forma de os bancos nacionais contornarem a lei que não permite a aplicação de juros negativos nos depósitos. Com o Banco Central Europeu a promover uma política de taxas abaixo de zero, há queixas entre os banqueiros portugueses de que há regras desiguais em relação aos pares europeus e que, por causa dessa “arbitragem regulatória”, os bancos portugueses estão a perder dinheiro com o excesso de liquidez resultante do fluxo de dinheiro de grandes fundos estrangeiros que está a ser depositado cá.

Segundo Miguel Maya, é um “tema importante”, mas não é uma questão urgente para o banco. E nem há polémica nesta questão. Sublinhou que no caso do BCP não está, nem esteve em cima da mesa “a cobrança de comissões, nem as empresas privadas nem públicas, nem aos particulares”.

O BCP foi dos primeiros bancos portugueses a anunciar uma comissão sobre os depósitos de clientes financeiros, como fundos de pensões e seguradoras. “Tudo o que estamos a fazer tem cobertura regulamentar”, assegurou Miguel Maya.

Miguel Maya disse ainda não estar “tão pessimista em relação à evolução das taxas de juro”. “Temos de saber viver com elas”, disse, apontando para a necessidade de ter “um banco eficiente” e com um indicador de rácio cost-to-income que seja uma referência no setor.

O BCP registou lucros de 270 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 5% face ao mesmo período de 2018, com o banco liderado por Miguel Maya a superar as estimativas dos analistas — previam um lucro de 258 milhões de euros. Há um ano, o banco reportou um lucro de 257,5 milhões de euros.

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