Exclusivo “TAP precisa de tempo e de capacidade de investimento”

Operação de financiamento da TAP "só está disponível para empresas que geram confiança junto dos investidores institucionais", afirma Miguel Azevedo, do Citi, um dos bancos colocadores da oferta.

A partir das 08h30 desta manhã de terça-feira, em Londres, o presidente da TAP, Antonoaldo Neves, tem o seu verdadeiro teste de mercado, com a apresentação da companhia aérea a investidores internacionais. O objetivo é fazer uma emissão de 300 milhões de euros para alongar prazo de dívida e financiar a renovação da frota de aviões. “Uma companhia aérea em fase de desenvolvimento e crescimento como a TAP precisa de tempo e de capacidade de investimento, esta operação vem permitir isso mesmo ao dar uma estrutura de longo prazo à dívida da TAP em linha com o perfil dos seus cash flows”, afirma ao ECO o head of Investment banking do Citi, Miguel Azevedo. O Citi é um dos ‘joint book runners’ da operação, ao lado do Morgan Stanley e JPMorgan.

O presidente executivo da TAP sabe o que é a dificuldade da operação para uma companhia com o histórico da companhia aérea. Até agora, a TAP não tinha sequer notação de rating, condição obrigatória para realizar a operação. E o que saiu foi melhor do que o esperado.

A Standard & Poor’s foi a primeira agência a avaliar a operação da TAP e classificou-a como investimento especulativo, a três níveis de ‘investment grade’. A classificação é idêntica à da American Airlines, acima da notação de companhias como a Turkish Airlines, a GOL ou a SAS, e a um ‘notch’ da Air France (BB). E só empresas como a Lufthansa e a AIG estão em nível de investimento.

Esta opção de financiamento só está disponível para empresas que geram confiança junto dos investidores institucionais globais”, realça Miguel Azevedo, do Citi. A TAP está a renovar os aviões, a idade média da frota passou de 14 para 7 e é necessário alongar o prazo da dívida, hoje nos 24 meses e sobretudo bancária, daí a necessidade de financiamento de longo prazo.

O presidente executivo da TAP iniciou o roadshow junto de investidores, organizado pelo Morgan Stanley, na manhã desta terça-feira em Londres, e terminará na sexta-feira em Lisboa. Assim, o ‘pricing’ da emissão só deverá ser conhecido na segunda-feira da próxima semana, apurou o ECO. Ainda assim, não está posta de lado a possibilidade de vir a ser conhecido no final do dia de sexta-feira.

Estes roadshows — ou ‘air shows’, como são conhecidos dentro da companhia — são essencialmente encontros ‘one to one’ e não eventos alargados. Assim, com dois dias de apresentações em Londres, em média com seis a sete encontros por dia, um deles coletivo com cerca de 15 investidores, Antonaldo Neves e a sua equipa deverão encontrar-se com cerca de 40 investidores. Europeus ou americanos com exposição à Europa.

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