CGD “surpreendida” com PER da Orey. Arrisca perder cinco milhões

Orey Antunes, com dívidas de 63,4 milhões, avisa que credores arriscam perdas significativas se o PER não for aprovado. No caso da Caixa, há um financiamento de cinco milhões em risco.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) arrisca perder quase cinco milhões de euros com a Sociedade Comercial Orey Antunes, que avançou com um pedido de processo especial de revitalização (PER) envolvendo um perdão de dívida de 50 milhões de euros. O banco público diz ao ECO que ficou “surpreendido com a entrada do PER” por parte da Orey Antunes, sem fazer mais comentários. Na lista de credores contam-se mais de duas centenas entidades, entre os quais outros bancos nacionais: BCP, Novo Banco e Santander Totta.

Este pedido de abertura de PER visa evitar a falência da Orey Antunes, pretendendo-se antes a recuperação da empresa “através da implementação de medidas de regularização do passivo que assegurem a viabilidade da sociedade a longo prazo”, segundo anunciou ao mercado.

São quase 260 os credores a quem a Orey Antunes deve mais de 60 milhões de euros e que fazem parte do processo que deu entrada esta sexta-feira no Tribunal Judicial de Comarca de Lisboa Juízo de Comércio de Lisboa. Entre eles estão o Fisco e Segurança Social, empresas de auditoria e consultoria (PwC, Auren Auditores), empresas de serviços (EDP, Vodafone, Reuters, 2045 Empresa de Segurança, entre outros), sociedades de advogados (Linklaters, Morais Leitão), fundos de pensões e vários bancos. Ainda não se conhece o montante que cada um destes credores reclama.

"Ficamos surpreendidos com a entrada do PER.”

Caixa Geral de Depósitos

Fonte oficial

No caso da CGD, é diferente. No requerimento para abertura de processo especial de revitalização, é revelado que o banco público deu um financiamento de 4,9 milhões de euros à sociedade com a garantia de ações do fundo OCP SICAR, através do qual a Orey Antunes controla os principais ativos que detém, nomeadamente os negócios de transporte e logística em Portugal e Espanha (empresa Horizon View) e Angola e Moçambique (empresa Lynx BV). A OCP SICAR controla ainda as chamadas “empresas técnicas” ASN e OIR.

O problema para a Caixa é que estas empresas pouco (caso da Horizon View) ou nada valeriam (Lynx Bv, ASN e OIR) se executasse o penhor ou se a Orey Antunes fosse liquidada em vez de se tentar um processo de recuperação.

Na melhor das avaliações, segundo a Orey Antunes, o banco apenas obteria 755 mil euros com a venda da Horizon View tendo em conta os preços do mercado, o equivalente a apenas 15% do que emprestou à sociedade. Já os ativos da Lynx, ASN e OIR nada renderiam.

Para os restantes credores, o cenário de liquidação seria ainda mais complicado. A Orey Antunes tem uma dívida de 63,4 milhões de euros, incluindo o financiamento garantido da CGD. Em caso de a empresa entrar em insolvência os credores perderiam a totalidade dos créditos.

Por isso, a Orey Antunes alerta para a necessidade de aprovação do PER. “A principal finalidade das medidas previstas neste plano de recuperação é a superação da situação económica da sociedade. (…) A redução do passivo permitir-lhe-á prosseguir com a sua atividade de uma forma sustentável e, consequentemente, mais benéfica para os seus credores e stakeholders“, assinala a Orey Antunes.

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