Vem aí mais um corte de produção. OPEP tenta agitar preço do petróleo

Maiores produtores do mundo terminam esta sexta-feira a reunião de dois em que vão delinear a estratégia para 2020. Espera-se um aprofundamento do corte de produção, mas há condicionantes.

A estratégia petrolífera para 2020 deverá continuar a mesma: concertação entre os principais produtores de petróleo do mundo para limitar a oferta e conseguir um equilíbrio no mercado que beneficie os preços. No entanto, ainda não é certo se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e o grupo de aliados conhecido como OPEP+ vão manter os níveis atuais ou aprofundar o acordo de cortes.

A decisão que irá determinar o futuro do mercado petrolífero em 2020 vai ser tomada esta sexta-feira, no fim da reunião de dois dias entre os maiores exportadores. Desde 2017 que os países 14 países da OPEP e um grupo de aliados tem implementado cortes na produção da matéria-prima. Atualmente, o acordo em vigor até março implica uma quebra de 1,2 milhões de barris por dia.

O corte poderá aumentar para 1,6 milhões de barris por dia (o que seria a maior limitação desde o início do acordo), de acordo com o número avançado pelo Iraque. Este fica, no entanto, abaixo do aconselhado pelo comité de monitorização da OPEP+, que aponta para uma redução de 500 mil barris por dia, segundo a Reuters.

No entanto, é possível que os produtores decidam apenas prolongar os níveis atuais até junho ou até dezembro de 2020. Vai ser o equilíbrio de poderes dentro do cartel a determinar o desenho final.

“Esperamos um resultado construtivo da reunião, em termos de prolongamento do acordo, mas não estamos completamente convencidos ainda se irá realmente revelar-se uma forte surpresa com um ajustamento considerável à meta”, referiu a consultora JBC Energy, com sede em Viena (onde irá acontecer o encontro), numa nota citada pela Reuters.

A estratégia da OPEP+ foi um dos fatores que levou o Brent de referência europeia a manter-se este ano entre os 50 e os 75 dólares por barril. Há já um ajustamento no mercado em antecipação ao provável corte na oferta. Na véspera do início da reunião, a expectativa deu um ganho de 4% à matéria-prima, enquanto esta quinta-feira o barril valorizou mais 1% para próximo de 64 dólares por barril.

Preços do Brent recuperaram nos últimos dias

Equilíbrio entre oferta e procura não depende só da OPEP

Um dos países que foi mais expressivo sobre o que queria foi o Iraque, o segundo maior produtor da OPEP, que defende um corte de 1,6 milhões por dia (equivalente a 1,6% da procura global). “Temos de dar um sinal positivo ao mercado e, para mim, devemos pelo menos estender o acordo atual“, disse o ministro do Petróleo do Iraque, Thamer Ghadhban, citado pela Reuters.

Responsáveis de países como Irão (que está excluído dos cortes devido às sanções dos EUA), Omã ou Angola já mostraram apoio. A Arábia Saudita — maior produtor da OPEP — deverá também apoiar, sendo que o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman disse apenas “sentir-se bem” sobre a reunião. Até porque a Arábia Saudita precisa de um aumento dos preços do petróleo que apoio a valorização da petrolífera estatal Aramco, que está prestes a entrar em bolsa.

A grande dúvida é a Rússia, que ainda não sinalizou se prefere uma extensão ou um aprofundamento dos cortes. Questionado pelos jornalistas, à chegada a Viena, sobre o assunto, o ministro da Energia russo, Alexander Novak, limitou-se a dizer: “Vamos esperar… Mas penso que a reunião será, como é costume, de uma natureza construtiva”.

Os aliados vão ter de considerar uma quebra na procura global por petróleo (penalizada pela desaceleração económica e pela incerteza associada à guerra comercial), sendo que a projeção da OPEP é que atinja apenas 29,6 milhões de barris por dia em 2020, menos 1,1 milhões de barris que este ano.

Por outro lado, o da oferta, também há condicionantes, a começar pelos níveis de cumprimento dos exportadores, nomeadamente do Iraque e Nigéria que têm produzido mais do que a quota e poderão ser pressionados a manter-se dentro dos limites.

Fora do acordo, países como Brasil ou Noruega poderão ser um entrave aos planos da OPEP+, mas a grande preocupação são os Estados Unidos. O país tem aumentado a produção, incluindo de petróleo de xisto, e Donald Trump tem sido particularmente crítico do cartel. O presidente dos EUA não se tem manifestado nas últimas semanas, mas com o aproximar das eleições presidenciais, poderá voltar a pressionar por preços dos combustíveis mais baixos.

Peso da OPEP na produção global tem diminuído

Fonte: Reuters

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