Vestuário diz que sustentabilidade social é o próximo desafio do setor

O presidente da Anivec, César Araújo, destaca que a "fileira enfrenta um enorme desafio e responsabilidade no campo da sustentabilidade social".

Na indústria dos têxteis e vestuário um dos temas em destaque tem sido o futuro do setor com foco na modernização, digitalização e economia circular. Todavia, o setor do vestuário alerta que para além da automação, a indústria enfrenta um enorme desafio e responsabilidade no campo da sustentabilidade social. Para César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (Anivec), “hipervalorizamos a tecnologia e desvalorizamos as relações interpessoais. As pessoas têm que ser vistas como um fator positivo e devemos valoriza-las”.

“A sustentabilidade social tem particular relevância numa indústria que é composta maioritariamente por empresas familiares, emprega maioritariamente pessoas com laços de parentesco, tem um enorme peso nos mercados de trabalho locais, desempenha um papel decisivo na coesão territorial e gera importantes dinâmicas socioeconómicas em muitas comunidades regionais“, destaca o presidente da Anivec, na gala da sexta edição do Concurso de Escolas de Moda da Europa e terceira edição dos Prémios Excelência Empresarial.

Para o presidente da Anivec “cabe aos decisores públicos, encontrar soluções que favoreçam a dignidade do trabalho sem pôr em causa a sustentabilidade social e a competitividade internacional das empresas”.

Considera que um agravamento dos custos dos fatores de produção “pode pôr em perigo a sustentabilidade social da fileira moda. A capacidade de criar e manter emprego tende a enfraquecer se houver um acréscimo de despesas à margem da capacidade económica das empresas e sem atender ao contexto competitivo das mesmas”.

Hipervalorizamos a tecnologia e desvalorizamos as relações interpessoais.

César Araújo

Presidente da Anivec

Perante os desafios que as indústrias enfrentam, César Araújo conclui que “é necessário criar sustentabilidade social e competitividade internacional”. Salienta que depende da competitividade da indústria “ter uma vida digna e perspetivas de futuro”.

Regionalização continua a ser um problema

O presidente da Anivec, César Araújo, destaca que “Portugal não é só Porto e Lisboa” e que a a indústria têxtil e vestuário, juntamente com a fileira do calçado, empregam mais de 190 mil colaboradores a nível nacional. “Nas regiões do Centro e do Norte, há concelhos em que mais de 50% dos postos de trabalho dessa região são assegurados por empresas de vestuário”. César Araújo destaca ainda que “70% do emprego feminino encontra-se na indústria de confeção”.

Não deixa de destacar a “importância das pessoas e destes setores que estão no Interior, que criam emprego e que valorizam a pessoa enquanto ser humano. Sem estes setores aí é que o interior ficava desertificado”, conclui.

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