Governo aponta como futuro do têxtil “modernização, digitalização e economia circular”

  • Lusa
  • 4 Dezembro 2019

O Executivo de António Costa desvaloriza os números que apontam para a diminuição do emprego no têxtil e salienta que o futuro do setor passa pela digitalização e pela economia circular.

O ministro da Economia afirmou, esta quarta-feira, que o futuro da indústria têxtil está na “modernização, digitalização e economia circular”, desvalorizando os números que apontam diminuição de emprego e empresas e salientando que o setor quer “crescer” em volume de negócios.

À margem do Simpósio ITV no horizonte 2015, em Vila Nova de Famalicão, Braga, o também ministro de Estado, Pedro Siza Vieira, lembrou que o setor têxtil tem “uma força de trabalho com um acerta idade” e que é preciso a renovação de trabalhadores.

A edição desta quarta-feira do Jornal de Negócios refere que, nos próximos anos, o setor têxtil poderá perder duas mil empresas e 28 mil empregos até 2025, embora esteja previsto ao aumento das exportações e das vendas, sendo que o setor está a preparar o “novo plano estratégico”.

“Temos uma força de trabalho neste setor que já tem uma certa idade e é possível que algumas pessoas vão começando a abandonar o setor. O que queremos é que a renovação da força de trabalho se faça com pessoas mais qualificadas e que as empresas, tendo mais produtividade, sejam capazes de produzir mais com menos gente“, respondeu o titular da pasta da Economia e da Transição Digital.

Para Pedro Siza Vieira, “há uma ideia de sucessão de gerações na indústria, com cada vez maior qualificação, e com empresas que vão ganhar escala, tornar-se mais competitivas a nível internacional e com isso conseguem produzir mais e melhor”.

Por isso, o governante não mostrou constrangimento quando confrontado com a questão de uma possível nova crise como nos anos 80: “Encontrei nos empresários uma visão muito ambiciosa para o setor, que quer crescer em volume de negócios, em exportações e na produtividade”, disse.

Com um tom otimista, o ministro não deixou de reconhecer que “hoje há uma abrandamento da Economia” para alguns dos mercados para os quais Portugal exporta, “já há menos encomendas de alguns mercados”, mas, disse, apesar de uma conjuntura que possa estar mais incerteza”, a aposta tem que “assegurar condições” para as empresas investirem no futuro.

Para Siza Vieira, esse investimento passa pela “modernização, digitalização, economia circular” e “quem não fizer esse esforço de investimento não vai conseguir no futuro afirmar-se nas preferências dos novos consumidores”.

No mesmo sentido, o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Mário Jorge Machado, contestou as contas apresentadas sobre os “futuros” números do desemprego no setor. “As contas estão incompletas (…), afirmou. “O que nós dissemos foi que ao longo dos próximos anos este setor, como todos, vai perder mão-de-obra, mas pelas questões dinâmicas e, sobretudo, pelas questões etárias e demográficas. Nos próximos dez anos vamos perder 40 mil pessoas, mas isso não quer dizer que vão ser despedidas. E vamos precisar de contratar 20 a 25 mil pessoas com outras competências e formação”, explanou.

Para Mário Jorge Machado, “o setor vai mesmo estar sobre pressão com outros setores para contratar jovens qualificados. Quanto ao plano estratégico para o setor, igualmente à margem do colóquio, o diretor-geral da ATP, Paulo Vaz explicou que o referido plano está dependente de União Europeia também.

“Estamos a trabalhar no estudo com produtos de certeza técnica que nos vão ajudar, só não o fizemos ainda porque não conhecemos ainda o quadro comunitário e os fundos que estarão disponíveis. Vamos ter investimento, mas é importante conhecermos quais as regras que vêm ai antes de termos esse plano fechado”. O simpósio, disse, serviu como “exercício de reflexão” para o futuro do setor na próxima década, colocando a tónica na sustentabilidade. “A sustentabilidade é um novo paradigma, a raiz de desenvolvimento que as empresa não podem ignorar, mas não como uma ameaça e sim ajustarem-se a isso”, salientou.

Segundo este responsável, “não são investimentos muito diferentes do que tem já sido feito, a [nossa produção] já é muito alinhada com as preocupações de natureza ambiental e social”.

“Temos um sistema de despoluição que está cá há 20 anos, somos um paradigma e não temos que inventar nada. As nossas empresas devolvem água mais limpa do que aquilo que trazem”, referiu.

O desafio, apontou, é “escrever isso no processo para que o consumidor final possa saber todo o percurso daquela peça, desde onde foi plantado o algodão ao número de quilómetros que a peça fez até chegar ao consumidor final”.

Para Paulo Vaz, o futuro das exportações portuguesas são, “sobretudo, os mercados e países mais desenvolvidos”, sendo que outra das palavras de ordem será inovação. “Eu diria que quase todos os drives acabam por estar ligados, a inovação, tecnologia, acabam por estar ligados à sustentabilidade. Estamos a falar de novas tecnologias que dão uma segunda vida às peças que entram na tal economia circular”, finalizou.

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