Conheça as sete comissões mais bizarras que os bancos cobram aos clientes

Depois de a deputada Mariana Mortágua ter dito ser necessário acabar com "comissões bizarras", o ECO foi revisitar os preçários dos bancos. Existem até comissões para depositar moedas.

Têm surgido muitas críticas em torno das comissões bancárias pelo cada vez mais elevado custo que estas representam no bolso das famílias. Tendo isso em mente, o Bloco de Esquerda apresentou um pacote legislativo que tem como objetivo travar as comissões bancárias. Uma das propostas passa por acabar com “comissões sem serviços associados”, que o partido considera serem “comissões bizarras”, visando em concreto a eliminação do custos nomeadamente em serviços como a emissão do distrate e de liquidação de empréstimos e no processamento de prestações do crédito.

“São 50 euros por uma declaração de conta bancária; 30 euros pela cobrança da prestação do crédito ao banco que os clientes pagam; e são outros tantos se o cliente quiser uma declaração de extrato, de não dívida ou de fim de dívida ao banco”, disse a deputada Mariana Mortágua aquando da apresentação do pacote legislativo, nesta quarta-feira, citada pelo Esquerda Net.

Tendo em conta essas reivindicações do Bloco de Esquerda, o ECO foi ver os preçários dos bancos em busca de comissões bancárias que poderão provocar alguma estranheza aos clientes. Fique a conhecer sete dessas comissões.

Depósito de moedas

Quase todos os bancos nacionais cobram aos clientes por receberem depósitos em moedas, quando estas excedam as 100 unidades. O custo deste serviço é de 5,2 euros na maioria das instituições, aplicando-se esse valor por múltiplos de 100 moedas. Ou seja, se depositar 200 moedas, é cobrado ao cliente 10,40 euros. Mas mais moedas podem não significar necessariamente pagar mais. No BBVA, por exemplo, acima de 100 moedas é cobrada uma comissão de 5,2 euros, mas se forem até 99 moedas o custo já é de 7,8 euros. Em desfavor do cliente joga ainda o facto de que “regra geral, o montante fica cativo durante vários dias. Ou seja, só é disponibilizado na conta do cliente depois de contado e confirmado“, dizia a Deco relativamente a essa comissão.

Levantar dinheiro ao balcão

Levantar dinheiro numa caixa Multibanco não implica qualquer custo para os clientes, mas o caso muda de figura se tal for feito ao balcão do banco. Na maioria dos bancos tal pode custar entre 4 e 5 euros, mas no caso Novo Banco, por exemplo, o custo por operação chega aos 12,48 euros.

Pagar para processar a prestação da casa

O valor que os bancos cobram para processar o pagamento da prestação do crédito à habitação é um dos encargos que tem sido alvo de mais críticas. A questão que se impõe é: qual a razão que justifica que um banco cobre um dado valor pelo simples facto de o cliente bancário cumprir com a obrigação de pagar a prestação da casa? Por mês, a maioria dos bancos cobram entre 2,5 e 3 euros pelo processamento da prestação da casa. Este encargo tende assim a ultrapassar os 30 euros anuais.

Declaração sobre a prestação do crédito

Os documentos que comprovam valores, como os relativos ao crédito à habitação, implicam também o pagamento de comissões. Uma declaração que ateste o montante da prestação mensal suportada pelo crédito à habitação pode custar mais de 30 euros. Já um documento comprovativo do valor que falta para pagar a casa implica o dobro desse custo. Ou seja, mais de 60 euros.

Distrate no fim do crédito da casa

Após a liquidação do empréstimo bancário, o banco deverá emitir um documento que renuncia à hipoteca constituída a seu favor – distrate de hipoteca – e no qual declara liquidada a dívida. Este documento deve ser entregue pelo proprietário na Conservatória do Registo Predial para cancelar o registo hipotecário, deixando assim o banco de ter quaisquer direitos sobre o imóvel. Muitos bancos não cobram pela emissão deste documento, mas no BCP, por exemplo, terá de pagar 159,9 euros pela emissão deste documento.

Informação por escrito

Um pedido de informação escrita como, por exemplo, um documento que uma dada conta é solidária, obriga o cliente a desembolsar valores que podem ultrapassar os 50 euros. No BBVA, por exemplo, um documento desta natureza chega a ter um custo de 153,75 euros.

Reatribuição de PIN

Esqueceu o PIN do cartão de débito ou de crédito, então prepare-se para abrir os cordões ao bolso. Facilmente, a atribuição de um novo PIN pode custar acima de 10 euros. No caso do Novo Banco, por exemplo, tal tem um custo de 11,44 euros.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Conheça as sete comissões mais bizarras que os bancos cobram aos clientes

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião