Comité Judicial aprova acusações contra Trump. Votação do impeachment esperada na próxima semana

O Comité Judicial da Câmara dos Representantes votou a favor das duas acusações contra o presidente dos EUA, dando mais um passo no processo que poderá levar à sua destituição.

O Comité Judicial aprovou as acusações contra o presidente dos EUA, Donald Trump, abrindo caminho a uma primeira votação decisiva no processo do impeachment antes do Natal.Gage Skidmore/Flickr

O Comité Judicial da Câmara dos Representantes dos EUA validou os dois artigos do impeachment contra Donald Trump, acusando o presidente de abuso de poder e de obstrução ao Congresso, noticiou o The New York Times (acesso condicionado).

A aprovação deu-se após dois dias de intensa discussão num Congresso fortemente dividido entre Democratas e Republicanos, mas cuja câmara baixa é controlada pelos primeiros. Este passo abre caminho para que os deputados da Câmara dos Representantes votem o impeachment do 45.º presidente, provavelmente, na próxima semana.

As acusações foram aprovadas por uma maioria de 23 votos por parte de membros do Partido Democrata, contra 17 votos de membros do Partido Republicano, que apoia o presidente em funções. Assim, o próximo passo será o da votação na Câmara dos Representantes, composta por 233 democratas e 197 republicanos.

Se os artigos do impeachment forem aprovados na próxima semana, como se espera, o processo segue para o Senado, iniciando-se um julgamento. Porém, com uma maioria de 53 republicanos contra 47 democratas, o impeachment dificilmente será aprovado por uma maioria de senadores. Isto porque, para haver uma destituição, terá de existir maioria de dois terços nessa derradeira votação — se houver, Mike Pence, vice-presidente dos EUA, ocupará o lugar vago.

Trump volta a declarar inocência

O processo do impeachment surgiu depois de ser conhecido um telefonema entre Donald Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no qual Trump pede que a Ucrânia investigue os negócios do filho de Joe Biden, Hunter Biden, no país. Joe Biden é um adversário político de Trump e candidato a ser o rosto dos democratas nas eleições presidenciais de 2020.

Pouco antes, os EUA suspenderam a transferência de um apoio financeiro milionário à Ucrânia, levantando suspeitas de que as duas situações estarão ligadas. Desde setembro que o Congresso tem promovido audições a figuras-chave, no sentido de confirmar se houve quid pro quo — isto é, se a suspensão desse pagamento foi uma forma de pressão para a Ucrânia agir a favor dos interesses políticos do presidente dos EUA.

O presidente dos EUA, por sua vez, tem recusado as acusações. Além disso, tem vindo a repetir a narrativa de que o Partido Democrata está a promover uma “caça às bruxas”. “Como é que alguém é destituído quando não fez NADA de mal (um telefonema normal), criou a melhor economia da história do país, reconstruiu as forças armadas, corrigiu o apoio a veteranos (opção!), cortou impostos, protegeu a segunda emenda, criou empregos e mais empregos e muito mais? É de loucos!”, reagiu Trump esta sexta-feira, no Twitter.

(Notícia atualizada às 15h52 com mais informações)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Comité Judicial aprova acusações contra Trump. Votação do impeachment esperada na próxima semana

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião