Mobilidade laboral tem impacto negativo no crescimento real dos salários

  • Lusa
  • 13 Dezembro 2019

Um estudo divulgado pelo BdP aponta que os trabalhadores recém-contratados têm em média salários mais baixos do que os trabalhadores que permaneceram na empresa, tendo um impacto negativo nos salários

A restruturação do emprego (entradas e saídas de empresas) e a mobilidade laboral (entradas e saídas de trabalhadores) têm um impacto negativo no crescimento real dos salários, segundo um estudo divulgado esta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

Os resultados do estudo “Qual é o contributo da dinâmica das empresas e da mobilidade laboral para a variação dos salários reais?”, que faz parte da publicação “Crescimento Económico Português: Uma Visão Sobre Questões Estruturais, Bloqueios e Reformas”, do BdP, indicam que a restruturação do emprego e a mobilidade laboral tem um “papel importante na variação real dos salários”.

Em relação à mobilidade laboral, os resultados indicam que os trabalhadores recém-contratados têm em média salários mais baixos do que os trabalhadores que permaneceram na empresa, tendo isto um efeito negativo na variação salarial agregada.

Ou seja, em termos gerais, a entrada e saída de trabalhadores tem um impacto negativo no crescimento real dos salários.

O uso generalizado de contratos com termo certo pode levar a que os salários de entrada sejam sistematicamente inferiores aos salários dos trabalhadores que permaneceram na mesma empresa, acentuando o contributo negativo da mobilidade laboral para o crescimento dos salários reais”, refere o documento.

Para a elaboração deste ensaio, foram analisados os fluxos de emprego no mercado de trabalho português entre 2005 e 2017 (base de dados do Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social), que demonstraram desde logo, diz o BdP, que a “criação e a destruição de emprego são notórias no período em análise” e que as duas situações “parecem estar relacionadas, ou seja, períodos de maior criação de emprego são também períodos de maior destruição de emprego”.

Adicionalmente, concluiu-se que o salário real médio nas novas empresas é inferior ao das empresas já estabelecidas, demonstrando que, numa base anual, o principal fator de variação salarial em Portugal é a variação salarial dentro (within) empresas estabelecidas no mercado.

Os dados sugerem também que, entre 2005 e 2008, as empresas que pagavam salários mais elevados aumentaram as suas quotas de emprego, enquanto que, entre 2013 e 2016, as quotas de emprego daquelas empresas diminuiu.

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