Venda de barragens da EDP vai servir para reduzir dívida e risco, diz Mexia

CEO da elétrica António Mexia afirmou que a alienação de seis ativos hídricos vai reduzir o perfil de risco da empresa.

Os 2,2 mil milhões de euros conseguidos pela EDP com a venda de seis barragens da EDP no Douro vão servir para reduzir a dívida do grupo. A operação irá também ter um impacto positivo nos lucros já que reduz a exposição aos preços do mercado de energia, segundo explicou o CEO da elétrica, António Mexia em conferência de imprensa esta quinta-feira.

“A redução da exposição a preço de mercado da energia, ajuda-nos a reduzir a volatilidade nos resultados da EDP”, afirmou António Mexia, após o anúncio do negócio que, diz, tem como objetivo a “desalavancagem e redução do perfil de risco” da empresa.

A EDP anunciou esta quinta-feira a venda de seis barragens no Douro a um consórcio liderado pela francesa Engie, que conta também com a participação do Crédit Agricole e a Mirova, do grupo Natixis. A alienação totalizou 2,2 mil milhões de euros, 200 milhões acima do montante apontado pelo mercado.

O negócio, que faz parte da alienação de ativos não estratégicos da elétrica nos próximos três anos, deverá ficar concluído no segundo semestre de 2020. Para isso, será criada uma entidade autónoma, não só com barragens, mas também com pessoas e licenças, que será vendida.

No entanto, para o negócio ficar fechado, a elétrica ainda tem de receber autorização do Governo, através da Agência Portuguesa do Ambiente e da DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia, mas também da Autoridade da Concorrência.

Quanto ao futuro dos ativos, Mexia explicou que “o comprador reconheceu o enorme valor das equipas da EDP e gostaria de manter estas pessoas” após a transação. “Não está em causa qualquer tipo de despedimento“, sublinhou. Nas seis barragens, há 50 trabalhadores.

Sines vai funcionar “enquanto for rentável”

A empresa está a levar a cabo uma recomposição do portefólio na Península Ibérica, nomeadamente através da alienação das barragens e consequente dependência em relação a períodos de precipitação. Em simultâneo, a EDP está a apostar nos leilões de energia solar no país e em processo de abandono das centrais a carvão.

A EDP anunciou também que reconheceu (tal como tinha acontecido no ano passado) uma imparidade de 200 milhões de euros associada à baixa competitividade das centrais a carvão.

O gestor explicou que que se tem verificado é uma “deterioração muito significativa” destes ativos e que as centrais a carvão são, desde janeiro, mais caras que as a gás. “A central de Sines tem estado parada muito tempo e é provável que no próximo mês continue parada“, afirmou.

Assim, a empresa já reconheceu duas imparidades este ano (a primeira associada à barragem do Fridão), que poderão ter impacto nos lucros de 2019, mas não vão comprometer o dividendo pago aos acionistas. O guidance da empresa para o resultado recorrente (que exclui imparidades) é de 800 milhões de euros. No próximo ano, “não são previsíveis” mais imparidades relativas às centrais de carvão.

Mexia clarificou ainda que este não é um anúncio do fecho da central de Sines, o que deverá acontecer nos próximos anos em linha com as metas de descarbonização da economia do Governo. Para já, “não estamos a anunciar o encerramento ou a data de fim de vida destas centrais, deverão ficar a funcionar enquanto forem rentáveis“, afirmou o CEO.

Apesar da venda de barragens e da perspetiva de fecho ou reconversão da central de Sines, Mexia negou qualquer desinvestimento no país. “O compromisso com Portugal está absolutamente claro e não está em causa”, disse, acrescentando que a participação em leilões de energia solar “mostra determinação de continuar em Portugal com esta noção clara de transição energética”.

(Notícia atualizada às 19h45)

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