EDP fecha venda de barragens no Douro por 2,2 mil milhões a consórcio liderado pela Engie

O negócio faz parte da alienação de ativos não estratégicos da elétrica, incluído no plano estratégico da EDP 2019-2022. O negócio estava avaliado em dois mil milhões de euros.

A EDP já fechou a venda de seis ativos hídricos no Douro a um consórcio liderado pela francesa Engie, que conta também com a participação do CréditAgricole e a Mirova – Grupo Natixis. A alienação totalizou 2,2 mil milhões de euros, 200 milhões acima do montante apontado pelo mercado. O negócio, que faz parte da alienação de ativos não estratégicos da elétrica nos próximos três anos, deverá ficar concluído no segundo semestre de 2020.

“A EDP – Energias de Portugal, S.A. acordou a venda de um portefólio de 6 centrais hídricas em Portugal ao consórcio de investidores formado pela Engie (participação de 40%), Crédit Agricole Assurances (35%) e Mirova – Grupo Natixis (25%), numa transação de 2,2 mil milhões de euros”, anunciou em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

As centrais hídricas em processo de alienação totalizam 1.689 megawatts (MW) de capacidade instalada e localizam-se na bacia hidrográfica do rio Douro. São três centrais de fio de água (Miranda, Bemposta e Picote) com 1,2 GW de capacidade instalada e três centrais de albufeira com bombagem (Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro) com 0,5 GW de capacidade instalada.

“O valor da transação acordado representa um enterprise value de 2.210 milhões de euros (com o equity value sujeito a ajustamentos até à conclusão da operação). Em 2018, ano em que o índice de produtividade hidroelétrica em Portugal foi de 1,05x, o EBITDA deste conjunto de ativos ascendeu a 154 milhões de euros”, continuou.

“A conclusão da transação está prevista para o segundo semestre de 2020, estando ainda pendente das aprovações societárias e regulatórias aplicáveis“, acrescentou a EDP, que ficará, após a transação, com uma capacidade de geração hídrica instalada de 5,1 GW em Portugal.

No plano estratégico da EDP 2019-22, apresentado aos investidores em março, o CEO António Mexia referiu a intenção de encaixar mais de seis mil milhões de euros com a venda de negócios não estratégicos para o grupo, identificando sobretudo ativos em regime de mercado e centrais térmicas em Portugal e Espanha.

Compradores para os ativos há sempre muitos”, disse Mexia, o mês passado, tendo reafirmado que o objetivo era fechar o negócio até ao final deste ano. Segundo o gestor, o ambiente de baixas taxas de juro leva os investidores a procurarem yields e faz com que a procura por estes ativos seja robusta.

“Há um enorme conjunto de investidores no mundo que procura rentabilidades que para nós são adequadas enquanto vendedores”, justificou, na altura. Depois destes ativos hídricos, as centrais a carvão e a ciclo combinado, assim como parte do capital da distribuição, deverão seguir-se.

Com o aproximar do fim do prazo apontado por Mexia, os investidores têm incorporado nos últimos dias o negócio no preços das ações. A EDP tem valorizado de forma expressiva nas últimas sessões e negoceia no valor mais elevado desde junho de 2008. Após o comunicado à CMVM, a elétrica valoriza 0,6% para 3,80 euros por ação.

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(Notícia atualizada às 14h55)

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