Estado tem mais carros, mas mais velhos. E a diesel

Frota do Estado teve o primeiro aumento da década. Há mais carros, mas estão cada vez mais velhos. 52% tem mais de 16 anos, sendo que três em cada quatro são a gasóleo.

O Estado tem mais carros. A frota teve o maior aumento da década, em 2018, ascendendo a 25.802 automóveis. Apesar de mais modelos novos, adquiridos para as forças de segurança, a idade média do parque público aumentou para mais de 16 anos, sendo que mesmo com o aumento do peso de elétricos e híbridos no total, a grande maioria dos carros continua a gastar gasóleo. Três em cada quatro são a diesel.

De acordo com o relatório do Parque de Viaturas do Estado (PVE), relativo a 2018, cresceu em 162 veículos, um aumento de 0,6% que não encontra paralelo no histórico disponibilizado. Nos últimos anos, com a política de abate, o parque foi encolhendo de forma progressiva, sendo que mesmo com a compra de novos automóveis, o total está 2.500 aquém do nível registado em 2010.

Este aumento é explicado essencialmente pelo reforço de meios para as forças de segurança. De acordo com o mesmo documento, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública apresentaram o maior aumento no número de veículos ao serviço: 32,6% e 22,9%, respetivamente, seguidos do Exército, com um aumento acima dos 14%.

O reforço dos veículos para a segurança acabou por implicar um aumento do peso do gasóleo no “mix” de motorizações no parque de veículos do Estado. Mesmo com o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, a defender que os portugueses não comprem estes modelos, o Estado fê-lo, tendo em conta a utilização que lhes é dada. E, assim, o diesel, que já reinava no Estado, reforçou o seu reinado.

No final de 2017 o diesel atestava o depósito de 73% dos veículos estatais, mas no final de 2018 passou a chegar a 74% do total. Ou seja, praticamente três em cada quatro veículos são a gasóleo, enquanto 24% são a gasolina. As restantes formas de mobilidade têm um peso residual, mas cresceram substancialmente. O Estado tinha, no final de 2018, 219 elétricos e 25 híbridos, contra 55 e 17, respetivamente, um ano antes. Mas continua muito longe aquém da meta do Ministério do Ambiente de ter metade da frota do Estado elétrica.

Velhos e cheios de quilómetros

O Estado tem mais carros, muitos deles a diesel. Se fossem recentes, estes veículos cumpririam normas ambientais exigentes, tendo um impacto menor no Ambiente. Mas não são. De acordo com os dados do PVE, no final de 2018 a idade média atingiu um máximo: 16,6 anos, contra 15,30 anos no final de 2017.

Mais de metade dos veículos (52%) tem mais de 16 anos, sendo que 16% tem entre 13 e 16 anos. Semi-novos? São apenas 9% do parque total, ou seja, menos de 2.500 veículos.

Além de velhos, estes carros têm muitos quilómetros, o que o PVE assume que se traduz em custos avultados não só ambientais mas também de manutenção. Carros com 300.000 quilómetros há muitos no Estado. Os dados mostram que 26% já passou desta barreira, sendo que 18% têm entre 200 e 300 mil quilómetros. Menos de um quarto tem menos de 100 mil.

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