Licínio Pina culpa reestruturação do Crédito Agrícola pelas denúncias anónimas

O presidente do Crédito Agrícola diz que as denúncias anónimas envolvendo a contratação "fantasma" da sua mulher e da venda de imóvel a mãe de gestor devem-se ao plano de transformação do banco.

O Crédito Agrícola viu-se recentemente confrontado com dois casos polémicos relacionados com membros da administração. Primeiro foi a “contratação fantasma” da mulher de Licínio Pina, a quem o banco pagava 2.000 euros por mês para assegurar a “estabilidade emocional” do presidente. O segundo teve a ver com um imóvel em Lisboa que foi vendido à mãe do administrador Sérgio Frade. Ambos os casos foram denunciados por cartas anónimas que Licínio Pina associa à reestruturação da instituição.

Num artigo de opinião publicado esta quarta-feira no Jornal de Negócios (acesso pago), Licínio Pina começa por falar da estabilidade e bom desempenho do banco. O Crédito Agrícola registou lucros de 500 milhões de euros nos últimos sete anos, “passou a crise financeira sem problemas e nunca recorreu a fundos públicos”, elenca. Ainda assim, “o grupo tem vindo a ser confrontado com um conjunto recente de acusações que têm origem em cartas anónimas divulgadas em 2018”. Essas foram enviadas “prontamente” para os reguladores. “Como se explica esta situação?”, questiona o presidente do banco.

De acordo com Licínio Pina, as denúncias anónimas em relação à contratação da sua mulher ou da venda do imóvel à mãe do administrador, por exemplo, têm a ver com o plano de transformação do banco que está em curso.

O líder do Crédito Agrícola diz que a reestruturação é necessidade que decorre “da evolução da legislação que regula a atividade bancária”, mas lembra que “em muitos casos tem impacto direto na vida de pessoas que estavam há muitos anos (por vezes várias décadas) nas administrações das caixas locais”.

Explica que as novas regras dizem que os administradores locais têm agora de passar por um processo de avaliação. Por outro, há Caixas locais que não têm dimensões suficientes para assegurar o cumprimento dos critérios legais de segregação de funções, o que obriga a processos de fusão. “Estes movimentos implicam reduções significativas do número de administradores e alteração da composição dos órgãos de administração e de fiscalização das Caixas locais”, diz, explicando assim a razão do descontentamento interno em algumas caixas que deram origem às denúncias anónimas. Licínio Pina salienta que a Caixa central tem recebido também denúncias anónimas visando os gestores das Caixas locais.

Licínio Pina sublinha que os “supostos casos relatados nas cartas anónimas (…) foram escrutinados interna e externamente e devidamente esclarecidos”. Tanto mais que, recorda o presidente do banco, o atual conselho de administração executivo foi recentemente eleito “pela esmagadora maioria das caixas locais”. Além disso, os gestores receberam luz verde do Banco de Portugal.

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