Coronavírus propaga vermelho nas bolsas. Petróleo derrapa mais de 3%

Os receios em torno da propagação do coronavírus abalam os mercados mundiais. As ações europeias mergulham 2%, enquanto o petróleo derrapa 3%. Investidores procuram "portos seguros" como o ouro.

A preocupação crescente em torno das consequências económicas da propagação do coronavírus na China está a ter um efeito devastador nos mercados neste arranque de semana. As ações mundiais negoceiam em mínimos de duas semanas, enquanto na Europa as perdas rondam os 2% e as cotações do petróleo afundam 3%, com os investidores a procurarem refúgio em ativos como o ouro.

A derrapagem nos mercados acontece numa altura em que o número de mortos pelo surto de coronavírus na China aumentou para 81 e o vírus se propagou para mais de dez países, incluindo França, Japão e Estados Unidos. Alguns analistas questionam ainda se a China será capaz de conter a epidemia.

Após as ações asiáticas, os receios em torno destas notícias propagam-se também às bolsas europeias, incluindo a portuguesa. O Stoxx 600 — índice que agrega as 600 principais capitalizações bolsistas do Velho Continente — tomba 1,96%, para a fasquia mais baixa desde 8 de janeiro. Ou seja, aquando o pico da crise no Média Oriente após a morte pelos EUA do general iraniano Qasem Soleimani. As mineiras estão entre os títulos mais penalizados nas praças europeias, com quedas acima de 3%, estando a ser pressionadas pela respetiva exposição à China.

Lisboa segue quedas da Europa

Em Lisboa, o PSI-20 também cede, apesar de em menor dimensão. O índice bolsista nacional cai 1,48%, para os 5.208,4 pontos, condicionado pelas quedas do BCP mas também da Galp Energia que desvaloriza 2,69%, a acompanhar o rumo das cotações do petróleo.

O preço do barril de Brent, referência para as importações nacionais, tomba 3,3%, caindo abaixo da fasquia dos 60 dólares pela primeira vez desde o início de novembro.

O “ouro negro” cede aos esperados efeitos nefastos para a economia e, em consequência, sobre o respetivo consumo a nível mundial caso o coronavírus se transforme numa epidemia mundial.

“O coronavírus é um choque económico e financeiro. A extensão desse choque ainda precisa de ser avaliada, mas poderia ser a faísca para um ajuste indiscutivelmente duradouro no mercado de capitais”, disse Marc Chandler, estratega chefe de mercado da Bannockburn Securities, numa nota enviada a clientes citada pela Reuters.

Face a este tipo de receios, os investidores estão a procurar refúgio em ativos tidos como mais seguros. Nomeadamente o ouro. As cotações deste metal precioso avançam 0,88%, para os 1.584,199 dólares, a fasquia mais elevada desde 8 de janeiro.

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