Portugueses investiram 12 milhões de euros por dia em PPR no ano passado

As aplicações em PPR sob a forma de seguros totalizaram mais de 3.000 milhões de euros no ano passado. Valor ficou aquém do recorde de 3.475 verificado em 2018.

Os portugueses voltaram a investir em força em Planos Poupança Reforma (PPR) em 2019. O investimento em PPR sob a forma de seguros ascendeu a mais de três mil milhões de euros no ano passado. Por cada dia que passou, entraram assim mais de 12 milhões de euros em novas aplicações para estes produtos de poupança para a reforma.

Dados divulgados pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), mostram que os seguros PPR captaram 3.125 milhões de euros em 2019.

Este montante corresponde a uma quebra de 10% face a 2018, comparando com um ano que foi excecional em termos de captação de investimento para os PPR. Em 2018, os seguros PPR registaram 3.475 milhões de euros em novas aplicações, um máximo histórico e que correspondeu a um crescimento de 55% face aos valores observados no ano anterior.

Aplicações em PPR próximas de recordes

José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesas de Seguradores (APS), adianta que o decréscimo das aplicações em PPR no ano passado não é, contudo, exclusivo dos produtos PPR. Foi “transversal a todos os produtos com uma componente de capitalização comercializados pelo setor segurador”, esclarece o representante das seguradoras, apontando como transversais também as explicações para a redução observada.

Segundo o responsável, estão muito associadas à atual conjuntura macroeconómica e, em particular, ao seu impacto nos mercados de instrumentos de taxa de juro. “Na expectativa de um período prolongado com taxas de juro baixas (e com valores negativos) é natural que a oferta de produtos com garantias de capital e/ou rendimento (como é, tipicamente, o caso dos PPR) tenha diminuído em favor de produtos sem garantias de capital (também conhecidos como Unit Linked), o que torna os produtos oferecidos pelas empresas de seguros menos atrativos para aforradores com um perfil mais conservador”, enquadra o presidente da APS.

As razões que explicam estes decréscimos são, também elas, transversais e estão muito associadas à atual conjuntura macroeconómica e, em particular, aos impactos desta última nos mercados de instrumentos de taxa de juro.

José Galamba de Oliveira

Galamba de Oliveira revela ainda que as aplicações em PPR Unit Linked cresceram quase 7% em 2019, mas que dado o seu reduzido peso estrutural das aplicações totais de PPR (cerca de 16%), tal subida foi insuficiente para compensar, integralmente, a quebra de quase -13% nas aplicações nos restantes produtos PPR.

À perda de atratividade em termos de retorno, António Ribeiro, economista da Deco, acrescenta ainda a quebra na poupança das famílias como justificação para o menor nível de aplicações em PPR sob a forma de seguro verificado no ano passado.

“Não nos podemos esquecer que a taxa de poupança dos portugueses tem estado a diminuir, o que é uma situação bastante preocupante. Já temos a taxa de poupança mais baixa da Zona Euro e esta continua a cair”, defende o especialista.

Um produto com um leque de vantagens

Mesmo considerando a redução das novas aplicações observada em 2019, o nível de captação de aplicação de investimento pelos seguros PPR não ficou muito distante do recorde estabelecido no ano anterior. Foi ainda mais do dobro face ao nível de aplicações que se registavam no início da década. Os aforradores denotam assim manter o interesse por este produto financeiro.

Entre as vantagens que jogam a favor do investimento em PPR, estão nomeadamente o seu perfil de longo prazo. “Apesar de o PPR não ser já um produto estritamente vocacionado para a reforma, continua a ser um produto percecionado e tratado como de longo prazo e, por conseguinte, é ainda dos poucos instrumentos disponíveis que cumpre o objetivo de acumulação de poupança para complementar a reforma“, explica Galamba de Oliveira.

Estas duas vantagens – por um lado é um produto que dá resposta às preocupações de poupar para a reforma e, por outro, existe ainda um pequeno benefício fiscal na tributação dos rendimentos gerados por estes produtos – continuam a justificar o investimento em PPR.

José Galamba de Oliveira

O tratamento fiscal mais favorável também joga a favor deste produto. Para além do benefício fiscal aquando da subscrição, o regime fiscal que é aplicado aquando da liberação das quantias também é mais vantajoso face aos produtos alternativos.

“Por um lado é um produto que dá resposta às preocupações de poupar para a reforma e, por outro, existe ainda um pequeno benefício fiscal na tributação dos rendimentos gerados por estes produtos”, razões que, segundo Galamba de Oliveira, “continuam a justificar o investimento em PPR”.

“Continua a ser uma opção que recomendamos”, diz também António Ribeiro, referindo-se não só aos PPR sob a forma de seguro, como também de fundo de investimento. E neste âmbito, enquadra a escolha entre as duas tipologias de produtos financeiros com o perfil de risco do aforrador.

“Uma pessoa que não queira correr risco nenhum ou que já esteja perto da reforma, não deve aplicar num PPR com elevado risco, porque vai estar a arriscar as poupanças que já acumulou. Aí, o melhor produto continua a ser um PPR sobre a forma de seguro”, contextualiza o economista.

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