Um em cada três usa PPR ao poupar para a reforma

Na hora de poupar para a reforma, quem tem mais de 60 anos prefere colocar o dinheiro em depósitos a prazo (58%). Já os PPR, desenhados especificamente com esse propósito, são opção apenas para 35%.

Poupar para a reforma tornou-se quase uma obrigação para quem pretenda gozar os “anos dourados” de uma forma confortável. Apesar dessa realidade, menos de metade dos cidadãos portugueses mais velhos pouparam ou estão a poupar para a reforma. E na hora de escolherem os produtos financeiros com esse fim elegem os tradicionais depósitos a prazo em detrimento dos PPR, que são opção para apenas um em cada três que poupam com esse fim.

Os dados constam da VI sondagem do Instituto BBVA de Pensões divulgada nesta quinta-feira e que teve como objetivo medir a longevidade e os desafios da poupança após a reforma, inquirindo para isso cidadãos com 60 ou mais anos de idade.

No inquérito que incidiu sobre um universo de mil pessoas, apenas 44% revelaram ter começado a poupar antecipadamente para a velhice. Ou seja, menos de metade do universo de inquiridos.

Distribuição de quem poupa ou não antes da reforma?

E nesse contexto, os depósitos a prazo são o produto de eleição. Entre as pessoas que assumiram ter poupado ou estarem a poupar para a sua velhice, 58% afirmaram que o fizeram ou estão a fazê-lo mediante o recurso a depósitos a prazo.

Desenhados especificamente visando a reforma, os Planos Poupança Reforma (PPR) são o segundo produto mais utilizado, mas apenas por 35% dos inquiridos. Ou seja, por apenas um em cada três. Em terceiro lugar do ranking de produtos preferidos surge a aposta em imóveis e no imobiliário em geral, com 11% dos inquiridos a referirem apostar nesse tipo de investimento.

Produtos eleitos na poupança para a reforma

Tendo em conta a fraca remuneração oferecida pelos depósitos a prazo, e o efeito corrosivo da inflação, a probabilidade de essa camada da população estar a perder efetivamente dinheiro é bastante elevada. Situação que poderia estar mais preservada no caso dos PPR que na maioria dos casos oferecem garantia do capital aplicado e remunerações mais apelativas.

Incentivos fiscais para fomentar poupança

A necessidade de os portugueses reforçarem a sua aposta em produtos desenhados com o objetivo da poupança para a reforma tem sido sobejamente salientada. E diversas entidades têm vindo a alertar para a necessidade da criação de incentivos, nomeadamente fiscais, com vista a fomentar essa aposta.

O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, José Galamba de Oliveira, é um dos responsáveis que por várias vezes já falou na importância de voltar a valorizar PPR, alterando as características atuais e obrigando a poupança de mais longo prazo. “Os incentivos fiscais devem existir, serem simples e estáveis ao longo do tempo. É importante voltar a um produto como o PPR original, que é um produto focado na poupança de longo prazo”, afirmava durante uma conferência em julho do ano passado.

poucos dias também o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertava para a fraca poupança que existe em Portugal e à necessidade de serem criados incentivos fiscais, referindo em concreto os produtos de poupança para a reforma.

No relatório da missão do artigo IV do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na passada sexta-feira, a entidade liderada por Christine Lagarde apelava à criação por parte das autoridades da regulação necessária à promoção dos regimes complementares para as pensões, “como exigido pela legislação existente”. Recomendava ainda a “explorar opções, incluindo incentivos fiscais”, que permitam encorajar o uso de esquemas complementares de poupança e de poupança individual para a reforma.

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