FMI diz que é preciso poupar mais e pede incentivos fiscais

A entidade liderada por Christine Lagarde apela à criação de incentivos fiscais em Portugal com vista à promoção da poupança de empresas e famílias, com vista a garantir um "crescimento equilibrado".

O Fundo Monetário Internacional está preocupado com o baixo nível de poupança em Portugal. Considera que esta situação deve ser invertida devido aos riscos que acarreta para a economia, apelando assim à criação de incentivos fiscais com vista à promoção da poupança das empresas e famílias.

A recomendação surge no relatório da missão do artigo IV do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta sexta-feira. A promoção de uma poupança privada mais elevada é necessária para um crescimento equilibrado“, começa por avisar a entidade liderada por Christine Lagarde, lembrando que “as poupanças das empresas e (especialmente) das famílias estão abaixo das médias correspondentes da área do Euro”.

O FMI explica que obter taxas de investimento mais elevadas sem criar novos desequilíbrios externos é um desafio que só pode ser cumprido através de “taxas de poupança interna mais fortes”.

Neste sentido, apela à tomada de medidas por parte das autoridades nacionais que promovam a poupança por duas vias. Uma das recomendações da entidade liderada por Christine Lagarde passa pela criação por parte das autoridades da regulação necessária à promoção dos regimes complementares para as pensões, “como exigido pela legislação existente”.

Outra das vias de promoção da poupança passa, segundo o FMI, por “explorar opções, incluindo incentivos fiscais“, que permitam encorajar o uso de esquemas complementares de poupança e de poupança individual para a reforma.

O alerta do FMI surge numa altura em que a taxa de poupança das famílias portuguesas está em mínimos históricos. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que, em 2018, os portugueses pouparam apenas 4,6 euros por cada 100 de rendimento disponível, o valor mais baixo desde pelo menos 1999.

Foi nesse ano que INE começou a calcular estes dados, sendo que nessa ocasião os portugueses poupavam mais de 11 euros por cada 100 euros de rendimento.

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