Poupança das famílias cai pelo terceiro ano consecutivo. Está em mínimo histórico

A poupança das famílias portuguesas nunca foi tão baixa. Os portugueses pouparam apenas 4,6 euros em cada 100 euros de rendimento, o valor mais baixo desde, pelo menos, 1999.

Os portugueses nunca pouparam tão pouco. A taxa de poupança das famílias fixou-se em 4,6% em 2018, caindo pelo terceiro ano seguido. De acordo com os dados do INE, foram poupados apenas 4,6 euros por cada 100 euros de rendimento disponível, o valor mais baixo desde, pelo menos, 1999.

A taxa de poupança das famílias contabiliza a parte do rendimento disponível que não é utilizado em consumo final, sendo calculada através do rácio entre a poupança bruta e o rendimento disponível das famílias.

Ainda que o rendimento dos portugueses tenham aumentado nos últimos quatro anos, refletindo a política de reposição de rendimentos do Governo de António Costa, os dados do gabinete de estatísticas também mostram que os níveis de despesa de consumo final dos lares portugueses nunca foram tão elevados como no ano passado, resultando na taxa de poupança mais baixa das últimas duas décadas.

Taxa de poupança das famílias em queda

Fonte: INE

Em 1999, data a partir da qual o Instituto Nacional de Estatística (INE) começou a calcular estes dados, os portugueses poupavam mais de 11 euros por cada 100 euros de rendimento. A taxa de poupança foi caindo ao longo da primeira década do milénio, ainda recuperou nos anos que antecederam o período do ajustamento da “troika”, mas desde 2015 que se mantém em queda, período que coincide com o esforço de redução de endividamento das famílias junto da banca.

Subsídio de Natal aumenta rendimento no final do ano

Apesar da queda da taxa face a 2017, o INE salienta o aumento da poupança em cinco pontos percentuais no final do ano passado, de 4,1% no trimestre terminado em setembro para 4,6% no trimestre que terminou em dezembro, “em resultado de um acréscimo do rendimento disponível superior ao da despesa de consumo final”, explica o INE na informação à comunicação social sobre as Contas Nacionais Trimestrais divulgada esta terça-feira.

“O aumento mais acentuado do rendimento disponível das famílias foi determinado pelo crescimento de 1,9% das remunerações no quarto trimestre de 2018 (aumento de 1,1% no trimestre anterior) e adicionalmente pelo acréscimo de 2,3% das prestações sociais recebidas”, detalha o INE.

Acrescenta ainda as razões para a subida do rendimento dos portugueses na reta final do ano: “Refira-se que a aceleração das remunerações e das prestações sociais recebidas reflete o efeito do pagamento do subsídio de Natal por inteiro nas remunerações pagas pelas administrações públicas e nas pensões”.

(Notícia atualizada às 12h17)

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