Por idade ou por revolta, históricos sindicalistas estão de saída

Algumas das principais caras dos movimentos sindicais em Portugal vão sair de cena, tanto devido a regras sobre a idade dos dirigentes como por tensões com o Governo.

As caras dos principais sindicatos do país já são conhecidas dos portugueses. Mas algumas dessas caras estão prestes a mudar. Quer pela idade, como por visões divergentes, alguns dos representantes dos trabalhadores vão dar lugar a uma nova geração de sindicalistas que irá negociar com o Governo.

É na Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) que se vai dar uma das maiores viragens. Cerca de 66% da cúpula da central sindical vai sair, isto porque a CGTP tem uma regra que impede que sejam escolhidos para os órgãos dirigentes que já tenha passado a idade legal da reforma.

É o caso do líder, Arménio Carlos, que está no leme da CGTP há oito anos, mas faz parte do conselho nacional e comissão executiva da central sindical desde 1996. Originalmente eletricista de profissão, o sindicalista faz 65 anos em 2020, mas como o mandato é de quatro anos iria atingir a idade da reforma, atualmente 66 anos e cinco meses, durante esse período.

Ao líder sindical vai também juntar-se Ana Avoila. Coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP) e da Frente Comum, deixa o cargo que ocupou durante cerca de 16 anos, sendo que foi sindicalista durante mais de 34. O anúncio foi feito em outubro do ano passado.

A coordenadora da Frente Comum irá manter-se em funções até ao final de fevereiro, sendo que deverá ainda marcar presença na reunião agendada pelo Ministério da Administração Pública, a 10 de fevereiro, com os sindicatos que representam os trabalhadores do Estado para uma nova ronda negocial relativa aos aumentos salariais.

Para além de Avoila, que chegou a ser candidata às eleições europeias de 2009 pelo PCP, também saem da central sindical dirigentes históricos como Carlos Trindade, da tendência sindical socialista, Graciete Cruz, responsável pela estrutura sindical e Deolinda Machado, do setor católico. Augusto Praça, João Torres e Fernando Jorge Fernandes também vão deixar os cargos.

Na calha para a saída está também Carlos Silva, secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT). Apesar de ser só daqui a um ano o próximo congresso da central sindical, em abril de 2021, o dirigente já anunciou que não se irá recandidatar. Os motivos prendem-se com a relação com o Governo e as dificuldades na comunicação com o primeiro-ministro, António Costa, também secretário-geral do PS.

“Se a força de bloqueio sou eu, se sou eu que estou a criar dificuldades à central para se poder afirmar no panorama sindical português, para se espoletar um processo mais enriquecedor de negociação coletiva, de sindicalização, eu saio. Nada me prende aqui”, disse, em entrevista ao ECO.

Sindicatos com caras rejuvenescidas?

Os sucessores dos líderes sindicalistas ainda não são todos conhecidos. No entanto, deverão ser rostos mais jovens. Sebastião Santana, de 36 anos, foi eleito coordenador da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP) no congresso deste mês e está encaminhado para liderar a Frente Comum. Era dirigente do Sindicato da Função Pública do Sul e Regiões Autónomas.

Já para a liderança da CGTP não há ainda sucessores confirmados. Dia 14 de fevereiro é a data que marca a saída de Arménio Carlos da liderança da central sindical, ao iniciar-se o congresso. Não foram adiantados nenhuns nomes para os sucessores da direção, por isso deverá ser mesmo no congresso que são conhecidos.

Para a UGT também ainda não é certo quem sucederá a Carlos Silva. O dirigente apontou, em declarações ao Público, que da última vez o seu nome foi anunciado como sucessor de João Proença em julho de 2012, embora o Congresso só fosse em abril de 2013, indicando que poderá ser conhecido com antecedência.

Para a próxima geração ainda não há nomes, mas o dirigente refere que o sucessor deverá ser “por princípio um socialista, porque a tendência socialista é a mais relevante, deverá merecer o consenso dos companheiros social-democratas e essa escolha deve acontecer até ao verão, como é tradição da UGT”.

“Estou convencido que a UGT manterá a sua autonomia, a sua independência. Em relação ao futuro, qualquer camarada meu que me vier a suceder será sempre um líder de um grande sindicato da UGT. E os grandes sindicatos da UGT nunca fizeram fretes aos partidos”, disse, em entrevista ao ECO.

Independentemente dos sucessores que serão escolhidos, o que é certo é que vão saindo os sindicalistas que começaram a trabalhar antes do 25 de abril, como notou Arménio Carlos ao Expresso.

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