Presidente angolano “não vai negociar” com Isabel dos Santos

  • ECO e Lusa
  • 3 Fevereiro 2020

Presidente da República de Angola, João Lourenço, comunicou que não estão a decorrer quaisquer negociações com a empresária e filha do antigo Presidente angolano.

Depois da Procuradoria-Geral da República de Angola ter negado estar a negociar com Isabel dos Santos, o Presidente angolano, João Lourenço, já veio comunicar que “não se vai negociar”, avançou a RTP (acesso livre).

Em entrevista à rádio alemã Deutsche Welle, João Lourenço, garantiu que “não existem quaisquer negociações em curso com Isabel dos Santos ou os seus representantes”, quando questionado sobre a possibilidade de Isabel dos Santos ver atenuada a sua situação no país mediante a devolução do dinheiro.

O Presidente angolano lembra que se esgotaram “seis meses de período de graça” sem que houvesse um sinal nesse sentido. Em entrevista à DW, João Lourenço deixa bem claro que, por parte do poder executivo, a porta está igualmente fechada.

“Não se vai negociar, na medida em que houve tempo, houve oportunidade de o fazer. Portanto, as pessoas envolvidas neste tipo de atos de corrupção tiveram seis meses de período de graça para devolverem os recursos que indevidamente retiraram do país. Quem não aproveitou esta oportunidade, todas as consequências que puderem advir daí são apenas da sua inteira responsabilidade”, declarou o Chefe de Estado angolano, em entrevista à DW.

Desde que tomou posse, há dois anos, João Lourenço tem dado prioridade ao combate contra a corrupção e pelo regresso dos capitais ao país, projetos que levaram a Justiça a mover um processo contra a filha do seu antecessor, Isabel dos Santos, e uma ordem de arresto de bens no valor de mil milhões de euros.

O chefe do Executivo angolano frisou que o facto de ter assistido ao longo dos anos à corrupção no país e “por não concordar que a situação continuasse”, decidiu travar este combate.

Questionado sobre outras investigações judiciais, em particular sobre José Eduardo dos Santos, explicou que os antigos Presidentes gozam de imunidade durante pelo menos cinco anos e que compete à Justiça tomar essas decisões, rejeitando que existam processos políticos.

“Quem abre os processos-crime na Justiça não são os políticos. É a própria Justiça quem vai atrás de possíveis crimes. Portanto, todos aqueles que estão a contas com a Justiça que não pensem que é o poder político quem os empurrou para a Justiça”, adiantou.

Garantiu que “Justiça tem as mãos livres para atuar” e que ninguém pode dizer “’eu não posso ser ouvido’” ou “constituído arguido”.

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