Sem extraordinários, lucro do BPI cai para 328 milhões de euros. Novo crédito puxa por atividade em Portugal

BPI teve lucros consolidados de 328 milhões de euros em 2019. É uma quebra de mais de 33% face ao período homólogo. Banco vai ainda propor a distribuição de 117 milhões de euros em dividendos.

BPI registou lucros de 328 milhões de euros no ano passado. É uma quebra de mais de 30% face ao período homólogo em que os resultados líquidos dispararam à conta de ganhos extraordinários. O banco vai ainda propor a distribuição de 117 milhões de euros em dividendos.

O banco liderado por Pablo Forero anunciou, esta segunda-feira, que os seus resultados consolidados ascenderam a 328 milhões de euros em 2019, 33% abaixo dos 490,6 milhões de euros verificados no ano anterior. Já a atividade em Portugal, contribuiu com lucros de 230 milhões de euros, uma redução de 42% que é “explicada por se terem verificado em 2018 impactos positivos extraordinários significativos, de 178 milhões de euros, que corresponderam essencialmente a ganhos com a venda de participações”, como explica o BPI em comunicado.

Excluindo extraordinários, os lucros do banco em Portugal teriam melhorado 13 milhões de euros, o equivalente a uma subida de 6% face ao período homólogo.

A subida do resultado recorrente foi suportada “pela melhoria no produto bancário comercial e pelo impacto positivo da nova produção de crédito habitação e para empresas”, dá nota o banco liderado por Pablo Forero.

O produto bancário da instituição financeira acabou por aumentar 1,2%, para 717,8 milhões de euros.

Recursos de clientes sobem. Crédito também

Neste quadro, no mercado doméstico, os depósitos de clientes aumentaram 1.599 milhões de euros, um incremento de 7,6% face ao final de 2018, com a instituição financeira a destacar ainda os seguros de capitalização que “registaram um crescimento significativo de 10,8%” equivalente a 445 milhões de euros.

Esta evolução contribuiu para o aumento de 1.823 milhões de euros (+5,7%) dos recursos totais de clientes, excluindo depósitos de investidores institucionais e financeiros, para 34.073 milhões de euros no final do ano passado.

Do lado do crédito, a carteira bruta aumentou 1.033 milhões de euros (+4,4%), para 24.520 milhões de euros. No caso das empresas, a carteira cresceu 4,7%, para 9.722 milhões de euros, enquanto do lado dos particulares, a subida foi de 3,4%, para 12.979 milhões de euros euros.

No segmento de particulares, o BPI destaca o incremento de 13% registado na contratação de novos empréstimos para a compra de casa. A produção de crédito hipotecário ascendeu a 1.453 milhões de euros, em 2019, “o que reflete um crescimento de 13% face ao ano anterior e ganhos de quota de mercado, que alcançou os 15,4% no final do ano (outubro e novembro)”, explica o banco, acrescentando que regista três trimestres consecutivos de “aumento significativo da contratação”.

Por sua vez, a margem financeira (diferença entre juros cobrados no crédito e juros pagos nos depósitos) manteve uma evolução positiva, com um crescimento de 3,2% para 436,3 milhões de euros.

No que respeita às receitas de comissões líquidas ocorreu, contudo, uma quebra de 20 milhões de euros face a 2018 para 257,9 milhões. O BPI enquadra essa redução com o fato de que estas “já não incluem o contributo dos negócios de cartões, acquiring e banca de investimento alienados em 2018″. Em base comparável, pelo contrário, as comissões aumentaram 5,7%, correspondentes a 14 milhões de euros.

Quer distribuir 117 milhões em dividendos

Já os indicadores de qualidade do crédito apontam para que o rácio de Nonperforming Exposures (NPE) tenha melhorado ao diminuir de 3,5% em dezembro de 2018 para 2,5% em dezembro de 2019. Já a cobertura de NPE por imparidades e colaterais situava-se em 124% no final do ano passado. Foram ainda garantidas reversões de imparidades de crédito de 20,7 milhões de euros e a recuperação de 22,6 milhões de euros de créditos anteriormente abatidos ao ativo.

Ao nível dos rácios de capital, o banco apresentou um rácio CET1 de 13,4%, um rácio T1 de 14,9% e um rácio de capital total de 16,6%. O BPI diz que estes indicadores já incluem o resultado de 2019 deduzido do dividendo. Depois de, em 2018, ter distribuído os primeiros dividendos em nove anos, no total de 140 milhões de euros, a instituição pretende propor uma distribuição de 117 milhões relativo à atividade de 2019. Este valor corresponde a 36% do resultado líquido consolidado do BPI.

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