Portugueses ganharam em média 1.038 euros em 2019. Salários subiram 2,6%

Em 2019, a remuneração regular subiu 2,6% para 1.038 euros mensais. Em 2018, o salto tinha sido menos expressivo. Nos últimos cinco anos, salários totais aumentaram quase 9%, em termos acumulados.

O salário médio dos trabalhadores portugueses voltou a crescer em 2019, atingindo os 1.038 euros mensais. De acordo com os dados divulgados, esta sexta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística, as remunerações brutas regulares aumentaram, no último ano, 2,6%, salto que compara com a subida menos expressiva de 1,7% registada em 2018. Em termos acumulados, nos últimos cinco anos, os salários cresceram quase 9%.

Os setores da eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio e das atividades financeiras e seguros contabilizaram as remunerações totais (incluindo subsídios de férias e de Natal, bem como outras componentes salariais) mais elevadas, tendo ainda assim registado subidas, em termos homólogos, modestas: 0,3% para 3.032 euros mensais e 0,5% para 2.507 euros mensais, respetivamente.

Do outro lado da tabela, os setores da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca e do alojamento, restauração e similares registaram os salários médios mais baixos, embora se tenham verificado subidas expressivas em ambos os casos: 3,5% para 801 euros mensais e 3,6% para 824 euros mensais, respetivamente.

Já nas Administrações Públicas, tanto as remunerações regulares (isto é, sem subsídios) e totais cresceram menos do que na generalidade do mercado de trabalho. Em causa estão saltos de 2,2% e 2,6%, que comparam com os aumentos referidos de 2,6% e 2,7% registados na globalidade.

Ainda assim, os salários médios (tanto regulares, como totais) no Estado mantiveram-se acima daqueles registados na generalidade, tendo a remuneração bruta total subido de 1.799 euros para 1.845 euros (1.276, na globalidade do mercado de trabalho) e a remuneração bruta regular aumentado de 1.493 para 1.526 euros (1.038, na globalidade).

No que diz respeito à dimensão das empresas, o INE adianta que a remuneração média total ficou nos 804 euros para as empresas com um a quatro trabalhadores, enquanto nas empresas com 250 a 499 trabalhadores o salário médio total foi de 1.578 euros. Nas empresas de maior dimensão (mais de 500 trabalhadores), a remuneração média foi ligeiramente inferior a esta última: 1.562 euros. “A remuneração média por trabalhador no escalão de 50 a 99 trabalhadores (1.257 euros) foi a que se situava mais próxima do total da economia (1.276 euros)”, sublinha o Instituto Nacional de Estatística.

Tudo somado, de 2014 a 2019, a remuneração total auferida pelos trabalhadores portugueses aumentou, em termos acumulados 8,7% de 1.173 euros para 1.276 euros. Entre as pequenas e médias empresas esse salto foi mesmo mais acentuado (10,5% de 1.011 euros para 1.116 euros) do que entre as grades empresas (6,8% de 1.465 euros para 1.565 euros).

Salário médio estava nos 998 euros em janeiro de 2018

Fonte: INE

“Existe vasta evidência empírica de que as empresas de maior dimensão remuneram melhor, em média, os seus trabalhadores, isto é, de que existe um prémio salarial associado à dimensão da empresa“, frisa ainda o INE, referindo que a produtividade é a chave para explicar essa diferença.

Nas empresas maiores, os trabalhadores têm a oportunidade de se especializarem “num número limitado de tarefas, tornando-se mais eficientes e mais produtivos na execução dessas tarefas e esta vantagem pode traduzir-se em salários superiores”. Por outro lado, as empresas desta dimensão estão em vantagem porque podem recrutar trabalhadores altamente qualificados, têm maior intensidade de capita e têm maiores taxas de sindicalização, “características que, em geral, estão associadas ao pagamento de salários mais elevados”, remata o INE.

Estes dados são conhecidos numa altura em que os parceiros sociais estão a trabalhar com o Governo no sentido de chegar a um acordo sobre competitividade e rendimentos. O Executivo já disse que quer ver os salários a crescer acima da produtividade e da inflação (o que implicaria uma subida mínima de 2,7% em 2020), defendendo na negociação de referenciais por setor.

(Notícia atualizada às 12h00)

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