Em ano de 5G, cancelamento do MWC deixa vazio difícil de preencher

O cancelamento do Mobile World Congress no ano do 5G não tem só impacto no setor da tecnologia. O evento é crítico para a economia de Barcelona e para as receitas da associação promotora.

O cancelamento do Mobile World Congress (MWC) é um dos impactos mais visíveis do coronavírus na Europa, prova de que o surto pode provocar ondas de choque muito para lá da China. Com mais de três décadas de história, é uma das mais importantes feiras de tecnologia do mundo, a mais importante no segmento mobile, e um dos principais eventos de Barcelona. O seu cancelamento deixa um vazio difícil de preencher.

A promotora GSMA tentou evitar o cancelamento a todo o custo, mesmo perante a desistência de algumas das principais marcas que todos os anos marcam presença na feira. Numa tentativa de aliviar os receios, a associação baniu visitantes chineses provenientes do epicentro da epidemia, adotou controlos de medição da temperatura à entrada e até anunciou um protocolo de substituição dos microfones.

Mas nem estas medidas nem as recomendações aos participantes — que incluíam o evitar apertos de mão — foram suficientes para afastar os receios de que a feira pudesse representar um risco para a saúde pública. Mais de 100.000 pessoas eram esperadas, num ano considerado crítico para o setor, por causa do lançamento das primeiras ofertas comerciais de 5G. Tema que, de resto, tem marcado a exposição na Feira Barcelona nos últimos anos.

Num comunicado, a GSMA revela que “cancelou o MWC Barcelona 2020 porque a preocupação global com o surto de coronavírus, a preocupação com viagens e outras circunstâncias, impossibilita a realização do evento”. Para muitos, a decisão não foi surpresa. Como conta a Bloomberg (acesso pago), só a desistência da Ericsson — uma das primeiras a serem anunciadas — abriu na exposição um espaço vazio maior do que um campo de futebol americano.

Ainda é cedo para contabilizar o impacto financeiro da não realização do MWC este ano. Mas é praticamente certo que a decisão terá um forte impacto na economia local catalã: todos os anos, o MWC puxa por setores como o alojamento, restauração e transportes em Barcelona.

Menos certo é quem ficará com a “fatura” do cancelamento: se os participantes, se a própria organização, cuja esmagadora maioria das receitas provém do aluguer dos espaços e da venda de bilhetes, pelos quais cobra, pelo menos, 799 euros. Já para não falar nos milhares de viagens que já tinham sido marcadas e compradas e que, agora, acabarão por não se realizar.

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