João Bento responde à Anacom: posição sobre qualidade nos CTT é “profundamente injusta”

João Bento não gostou de ler as declarações do presidente da Anacom, nas quais Cadete de Matos sugere que os gestores da empresa dão mais prioridade à cotação das ações do que à qualidade do serviço.

João Bento, presidente executivo dos CTT, considera “profundamente injusta” uma recente declaração do presidente da Anacom, na qual João Cadete de Matos sugeriu numa entrevista que a administração dos CTT está mais preocupada com a “evolução das ações” do que com a qualidade do serviço.

“Há uma dimensão variável [do salário dos gestores dos CTT] que apela ao TSR — total shareholder return — e que inclui a valorização das ações e os dividendos”, começou por reconhecer João Bento. No entanto, lembrou que essa componente variável “afeta cinco pessoas” nos CTT, empresa que emprega milhares de pessoas no país.

“Afirmar a partir daí [que os CTT não se preocupam com a qualidade do serviço] parece-me um bocadinho pouco prudente como generalização, e ainda para mais em contexto de entrevista”, continuou o presidente executivo da empresa postal.

Numa entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, publicada esta segunda-feira, João Cadete de Matos, presidente da Anacom, afirmou: “Quando a empresa era pública, os gestores dos CTT tinham como objetivo para os seus prémios anuais a qualidade de serviço. Os gestores dos CTT hoje têm os prémios indexados à evolução das ações.”

O líder do regulador das comunicações foi ainda mais longe: “Há uma mudança quando uma empresa é pública e quando é privada, o que significa que objetivos de qualidade agora não estão presentes eventualmente como primeira prioridade, pelo menos do ponto de vista dos seus prémios”, disse João Cadete de Matos.

Instado a comentar estas declarações, num evento em que os CTT apresentaram um novo posicionamento de marca, João Bento, presidente executivo da empresa, não escondeu o desconforto com a posição do regulador, considerando-a “profundamente injusta”. Dito isto, criticou os indicadores de qualidade fixados pela Anacom para o serviço postal universal, concessionado aos CTT, considerando-os “impossíveis” de cumprir.

Custo do serviço postal “não tem praticamente expressão nas famílias portuguesas”

Já sobre a negociação para o novo contrato de concessão no período pós-2020, João Bento garantiu que os CTT não vão procurar um modelo de financiamento direto do serviço pelos contribuintes, mas sim que o serviço seja sustentável por si só.

 

Lembrando que o “serviço postal universal custa zero aos contribuintes portugueses”, o gestor revelou que o custo do serviço postal universal “não tem praticamente expressão nas famílias portuguesas”. São cerca de três euros por ano, em média, revelou, segundo contas da própria empresa.

Assim, no próximo contrato, contanto que o serviço seja concessionado aos CTT, o líder da empresa de correios revelou que quer manter o modelo de financiamento tal como está: “Os CTT estão muito contentes com esta forma de remuneração [através do custo dos serviços prestados e dos selos]”, afirmou.

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