Coronavírus faz razia nas bolsas. Lisboa já perdeu 5.155.000.000 euros esta semana

Os receios dos investidores com o surto de coronavírus está a espalhar o sentimento negativo pelas bolsas mundiais. Em Lisboa, a Galp Energia liderou as perdas.

O coronavírus voltou a contagiar as bolsas, com os investidores a temerem o impacto do surto na economia global. Em Lisboa, a Galp Energia afundou 5% e liderou as perdas do índice, com uma queda 3,1% para 4.952,15 pontos, no valor mais baixo desde outubro do ano passado. Desde o início da semana, a bolsa de Lisboa acumula uma desvalorização de 8%, equivalente a mais de cinco mil milhões de euros.

A China espera que o surto esteja sob controlo no final de abril, mas, para já, o clima é de incerteza. Segundo os últimos dados da Comissão Nacional de Saúde da China, há um total de 2.744 mortos e 78.497 infetados no país. Entre os casos confirmados, 43.258 ainda estão ativos e 8.346 encontram-se em estado grave. Mais de 32.400 pessoas já receberam alta após superarem a doença.

“A acumulação de evidências sobre o forte alastramento do vírus reforçou o nervosismo dos investidores”, explicaram os analistas do BPI, numa nota de fecho da sessão. “A bolsa nacional fechou com perdas avultadas, uma tendência comungada com o resto da Europa. A espiral de vendas atingiu a quase totalidade dos membros do PSI-20 (a única exceção foi a Ibersol), com seis deles a sofrerem perdas superiores a 3%”.

Foi a Galp Energia que liderou as perdas, a reagir ao impacto dos receios com o vírus no preço do petróleo (que afundou mais de 4% para mínimos de um ano). A petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva desvalorizou 5% para 13,02 euros por ação, o que significa que perdeu 980 milhões de euros de capitalização de mercado num só dia.

Galp afunda 5%

A Nos (-4,46%), a Sonae (-4,45%), os CTT (-4,34%) e a Altri (-4,13%) também estiveram entre as cotadas que mais caíram na sessão. Até mesmo títulos mais defensivos registaram correções expressivas, como é o caso da EDP (-3,6%) — que reagiu igualmente à venda de um bloco de ações pelo principal acionista China Three Gorges –, da EDP Renováveis (-1,11%) e da REN (-2,8%). A única cotada do PSI-20 que não desvalorizou foi a Ibersol, que se manteve inalterada.

As perdas em Lisboa acompanham a tendência nas praças globais. Na Europa, o vermelho foi generalizado com o índice pan-europeu Stoxx 600 a perder 3,6% para mínimos de quatro meses. O italiano FTSE MIB — país europeu mais penalizado pelo vírus — afundou 2,66%, enquanto o espanhol IBEX 35 desvalorizou 3,55%, o alemão DAX caiu 3,19% e o francês CAC 40 recuou 3,32%.

“Provavelmente teremos mais alguns dias de quedas, em conjunto com algumas tentativas de recuperação, antes que as bolsas finalmente estabilizem”, antecipa o analista de mercados do Bankinter, João Pisco. “O impacto do vírus deverá estar cingido ao primeiro trimestre de 2020 e talvez, embora em menor medida, a parte do segundo trimestre de 2020. O impacto existe, mas pensamos que será passageiro”.

(Notícia atualizada às 17h00)

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