Testar uma vacina em apenas três meses? Sim, graças à tecnologia

Uma farmacêutica desenvolveu uma potencial vacina para o coronavírus e prepara-se para os primeiros testes em humanos já no final de abril. Tecnologia está a ser crítica para acelerar a busca.

À medida que o coronavírus ganha terreno, cientistas têm trabalhado dia e noite à procura de uma vacina. É um processo que leva tempo. Antes de se anunciar uma cura, há que superar testes exigentes que garantam que o tratamento é seguro. Só depois pode ser administrado em humanos.

Mas este surto pode vir a revelar, mais uma vez, como é que a tecnologia, bem aplicada, ajuda a melhorar a vida das pessoas. Esta semana, uma pequena empresa farmacêutica, convenientemente chamada Moderna Inc., enviou às autoridades dos EUA uma primeira amostra da vacina para o novo coronavírus.

Ainda é cedo para gritar vitória. Mas o arranque dos testes em 25 voluntários já está marcado para o final de abril, depois de um período de apenas três meses, no qual a vacina esteve em desenvolvimento.

Se tudo correr como é esperado, será a primeira vez que uma vacina passa da fase de desenvolvimento à fase de testes em humanos em tão pouco tempo. Para comparação, na epidemia de SARS, que afetou a China em 2002 e 2003, uma vacina levou 20 meses até ser testada em doentes, segundo o WSJ.

Como é isto possível? Numa palavra, tecnologia. Para desenvolver esta potencial vacina, a Moderna recorreu a um plataforma tecnológica que funciona à base de “blocos”. Estes blocos podem ser ajustados rapidamente com a informação genética de um novo vírus, como é o caso do novo coronavírus.

Só deste modo é que a Moderna foi capaz de chegar a um tratamento promissor num espaço de tempo tão curto. Para comparação, o método mais convencional assenta em testes com proteínas virais (as proteínas produzidas pelas células infetadas), que são cultivadas em ovos e testadas em animais. E este processo pode levar anos até resultar num tratamento seguro para os doentes.

Uma vacina a ser injetada num ovo para efeitos de teste.Via Pixnio

Chegados aqui, convém moderar as expectativas. A Moderna não é a única empresa que está a trabalhar numa vacina e nada disto é garantia de que uma cura para o coronavírus vá ser encontrada em breve. Além disso, alguns especialistas já avisaram que “vai demorar” até ser encontrada a “cura” para o COVID-19, como é chamada a doença provocada pelo novo vírus.

Para já, resta-nos esperar que esta busca pela vacina, seja a da Moderna ou qualquer outra, venha a ter resultados concretos. A situação começa a complicar-se, mas a tecnologia, tantas vezes adversária da sociedade na era das Big Tech, propõe-se a ser uma aliada do ser humano nesta jornada. E não apenas na virologia, como também na prevenção de uma pandemia.

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