Covid-19: Ordem dos Médicos recomenda criação de linha de financiamento

  • Lusa
  • 2 Março 2020

A Ordem dos Médicos recomendou a criação de uma linha de financiamento para o novo coronavírus de forma a permitir que as instituições de saúde atuem com "autonomia" e "rapidez".

A Ordem dos Médicos (OM) recomendou esta segunda-feira a criação de uma linha de financiamento para o novo coronavírus de forma a permitir que as instituições de saúde atuem com “autonomia, adaptabilidade e rapidez” na resposta “a uma situação muito dinâmica”.

A medida faz parte de um conjunto de oito recomendações feitas pela OM na sequência do “surto pelo novo coronavírus e perante o que se conhece até ao momento”, refere a OM em comunicado. As propostas visam contribuir de “forma positiva para um melhor acompanhamento do que está a acontecer no terreno, para capacitar as instituições de saúde no sentido de poderem responder de forma ágil às necessidades logísticas e de recursos humanos e para conter a transmissão de casos em Portugal”.

Além da criação de uma linha de financiamento específica para o Covid-19, a OM recomenda “a identificação bem definida de uma cadeia de comando”, liderada pela Direção-Geral da Saúde, que comunique com clareza e que sirva de elo entre os vários intervenientes. Defende também a “publicação urgente e ampla divulgação” do Plano de Contingência Nacional e a nomeação de um novo diretor para o Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e das Resistências aos Antimicrobianos, que “está sem liderança há mais de seis meses”.

“Os médicos assintomáticos que regressem de zonas afetadas pelo coronavírus, com transmissão ativa na comunidade, devem avaliar com a respetiva instituição, nomeadamente com os serviços de saúde ocupacional, as medidas a adotar”, recomenda a OM.

Aconselha ainda que os médicos não devem ir a reuniões médicas e científicas, nacionais ou internacionais, que não sejam estritamente essenciais e que as reuniões científicas programadas para Portugal possam vir a ser adiadas. Para a OM, a Direção-Geral da Saúde (DGS) deve melhorar toda a informação divulgada e adaptar o seu site para que seja navegável através de smartphones, o meio atualmente mais utilizado por profissionais de saúde, mas também pelos cidadãos.

Divulgação e implementação ampla das normas de proteção dos profissionais de saúde e formas de acompanhamento dos doentes, quer em ambulatório quer em internamento também fazem parte das recomendações da ordem. A OM reitera ainda a sua “total confiança” na DGS e “disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes em tudo o que entenderem como necessário”, recordando que criou ainda em janeiro um Gabinete de Crise multidisciplinar para o acompanhamento deste surto.

Esta segunda-feira foi divulgado um caso confirmado de Covi-19 em Portugal e o outro caso aguarda uma contra-análise. Um português tripulante de um navio de cruzeiros encontra-se hospitalizado no Japão com confirmação de infeção.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.980 mortos e infetou mais de 87 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 60 países. Das pessoas infetadas, mais de 41 mil recuperaram. Além de 2.873 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”. A DGS manteve no sábado o risco da epidemia para a saúde pública em “moderado a elevado”.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Covid-19: Ordem dos Médicos recomenda criação de linha de financiamento

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião