Menos viagens e trabalho remoto. Grandes cotadas preparam-se para o coronavírus

Trabalho remoto, restrição e proibição de viagens à Ásia, facilidades de acesso a exames médicos e recomendações da DGS. São algumas das medidas das grandes cotadas no PSI-20 face ao coronavírus.

Os piores resultados da última década. As bolsas pintaram-se de vermelho um pouco por todo o mundo como reação à progressão do coronavírus Covid-19. Em Portugal, as cotadas do PSI-20 já ativaram planos de contingência para responder à progressão do vírus.

Da banca ao retalho, as grandes cotadas já estão a pôr em prática medidas consoante as necessidades do setor, em simultâneo com as recomendações da Direção Geral de Saúde e da Organização Mundial de Saúde.

Esta semana, as principais bolsas europeias registaram quedas de 3% e 4%, sem deixar escapar as cotadas nacionais, que perderam mais de cinco mil milhões de euros durante o mesmo período.

A Galp suspendeu as viagens previstas para áreas afetadas, ficando assim “restringidas aos casos de estrita necessidade, prevalecendo o uso da teleconferência”, avança ao ECO fonte oficial da energética. Os trabalhadores da Galp que regressem de férias dessas mesmas zonas afetadas, ficarão a trabalhar através de casa e será disponibilizado o acesso à realização de exames médicos.

A EDP e a EDP Renováveis também desaconselham os trabalhadores a viajarem à China e a outros países afetados pelo vírus. Na elétrica nacional, os trabalhadores que regressem de uma viagem ao país asiático, ou de qualquer região afetada, ficarão a trabalhar à distância durante duas semanas. “O regresso às instalações da EDP só deve ocorrer caso não se manifestem, durante esse período, sintomas de tosse, febre ou de dificuldades respiratórias”, sublinha fonte oficial da empresa.

Já na REN, todos os trabalhadores têm “acesso a canais internos e externos para esclarecimento de dúvidas e obtenção de informação adicional”, destaca fonte oficial da energética. A empresa garante estar a seguir as recomendações oficiais da DGS, pois tem “como prioridade a segurança de todos os colaboradores e a salvaguarda da gestão das operações críticas da sua responsabilidade”, refere em comunicado.

O regresso às instalações da EDP só deve ocorrer caso não se manifestem, durante esse período, sintomas de tosse, febre ou de dificuldades respiratórias.

Fonte da EDP

A DGS já deu recomendações específicas às empresas devido ao coronavírus, como por exemplo, a necessidade de ter zonas de isolamento, regras de higiene específicas, evitar reuniões em sala e aconselhar os trabalhadores a ficar em casa, caso tenham viajado recentemente. Como alternativa, a Direção-geral da Saúde sugere que as equipas façam reuniões por videoconferência e o reforço dos dispositivos tecnológicos de comunicação e informação. Devem ainda ser disponibilizados equipamentos como máscaras e material desinfetante.

Um estudo da Associação Empresarial de Portugal (AEP), que inquiriu cerca de duas centenas de empresas a nível nacional, revela que uma em cada cinco já sente “impacto negativo significativo ou muito significativo” do coronavírus na sua atividade. As dificuldades de abastecimento de matérias-primas e produtos provenientes da China e de Itália, a redução de encomendas, o cancelamento ou adiamento de eventos internacionais, as dificuldades de viagens, o fecho de fábricas de tecnologia, estão entre os principais constrangimentos apontados pelos empresários.

Nos CTT, todos os conselhos da DGS foram comunicados aos trabalhadores, confirma fonte oficial da operadora postal. Além disso, os CTT revelam que têm verificado uma redução da oferta de transporte e uma alteração da normalidade da atividade económica chinesa“, mas confirma que “os fluxos de exportação e importação para a China estão abertos e sem interrupções”.

No retalho, a Jerónimo Martins já proibiu os trabalhadores de fazer viagens à Ásia em contexto profissional. No caso dos trabalhadores que regressem de um país considerado “de foco”, como o caso de Itália, são aconselhados a trabalhar a partir de casa. Nos três países em que o grupo opera — Portugal, Polónia e Colômbia — não há casos confirmados de coronavírus, mas a retalhista garante estar a seguir as recomendações das autoridades de saúde.

As medidas de contingência da Sonae vão avançar “de acordo com o nível de risco concreto, quando e assim que se justifique”, avança fonte do grupo português ao ECO. A dona das marcas Continente, Well’s, Maxmat e Go Natural garante que todas as empresas estão a acompanhar as recomendações das entidades de saúde internacionais.

A Ibersol — dona da Pizza Hut e do Burger King — está a dar “especial atenção à lavagem e desinfeção de mãos e antebraços, entre um conjunto exaustivo de outros procedimentos, nas suas operações de todos os seus restaurantes”, para garantir os padrões de segurança e qualidade alimentar, revela fonte oficial.

Na banca, o Millennium BCPcondicionou as viagens ao estrangeiro e as viagens com recurso a transporte aéreo para evitar o avanço do contágio, além de estar a privilegiar as reuniões por videoconferência, avançou fonte oficial do banco.

O coronavírus Covid-19 já infetou 78.824 pessoas em todo o mundo. O vírus já matou 2.788 pessoas só na China e há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan. Segundo a Direção-Geral de Saúde, as áreas afetadas e com transmissão ativa do vírus são a China, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Irão, e as regiões italianas de Emiglia-Romagna, Lombardia, Piemonte e Veneto. Em Portugal, não há casos confirmados, mas a DGS já contou 25 casos suspeitos. O único português infetado pelo novo vírus é um tripulante de um navio de cruzeiros que foi internado num hospital da cidade japonesa de Okazaki, a sudoeste de Tóquio.

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