Coronavírus infeta investidores europeus. Bolsas afundam mais de 3%, ouro brilha

Apesar de sinais de abrandamento de novos casos na China, o coronavírus está a ganhar terreno na Europa. Itália está no centro das atenções, levando os investidores a procurarem refúgio.

É na China que está o maior número de casos de coronavírus, com o total de mortes provocadas pelo surto já acima das 2.500. Apesar de sinais de abrandamento de novos casos no país onde surgiu o Covid-19, está a aumentar o número de infeções além-fronteiras, com Itália a ser o país que mais preocupa. Este alastrar do surto à Europa está a fazer aumentar a ansiedade dos investidores um pouco por todo o mundo, levando a fortes quedas nas ações. A avaliação afunda.

Já foram registados cerca de 150 casos de infeção em Itália desde o final da semana passada. O número de mortes já vai em quatro, levando o país a implementar uma série de restrições na tentativa de conter o surto. Apesar dos esforços das autoridades italianas, há dúvidas sobre a eficácia. E crescem os receios em torno de um alastrar do vírus para outros países europeus, com os impactos económicos que daí podem resultar. A China mantém as metas de crescimento, mas admite o impacto.

Perante este propagar do vírus, os investidores, que já estavam preocupados, mostram-se cada vez mais apreensivos, afastando-se daquilo que são ativos de risco, como são as ações. A Europa a viver uma sessão de fortes quedas, com os principais índices a registarem quedas de mais de 2% e mesmo 3%. A bolsa de Milão, em Itália, é a mais castigada, recuando 4,22% para um mínimo de três semanas.

O Stoxx 600, que agrega as maiores empresas do Velho Continente, cede 3,31%, a maior queda diária desde outubro, com alguns setores a serem mais castigados que outros. A aviação está a ser fortemente penalizada, com os investidores a anteciparem o impacto da retração nas deslocações por causa do vírus, com empresas como a Easyjet, Ryanair, Air France e Lufthansa a apresentarem quedas entre 7% e 11%.

Fabricantes de automóveis, empresas de tecnologia e também o setor financeiro, os mais sensíveis às perspetivas para o rumo da economia, apresentam também fortes quedas, em torno de 3%. Em Lisboa, com o PSI-20 a ceder mais de 3%, o BCP apresenta uma das maiores quedas da sessão, recuando 4,05% para os 18,22 cêntimos, mas é a Galp Energia que se destaca pela negativa.

A petrolífera portuguesa afunda 4,3%, para 13,68 euros, num movimento de queda generalizada no setor europeu, mas também mundial. Estas fortes quedas acompanham a tendência negativa das cotações da matéria-prima nos mercados internacionais, com o Brent, negociado em Londres, a ceder 3,74% para 56,31 dólares. Em Nova Iorque, o West Texas Intermadiate recua 3,63% para 51,44 dólares.

Ouro brilha como ativo refúgio

Há uma fuga ao risco que está a deixar praticamente todas as cotadas europeias no “vermelho”, bem como o euro, que cai 0,2% para 1,0819 dólares. Esta queda da moeda única, para novos mínimos face ao dólar, traduz o crescente apetite dos investidores pela moeda americana, principalmente para comprarem ouro.

O metal dourado tem vindo a brilhar, este ano, perante receios em torno do ritmo de crescimento da economia mundial. Com o agravar do surto de coronavírus, a tendência tem-se acentuado, estando o valor da onça já nos 1.687,56 dólares. A cotação desta matéria-prima está a disparar 2,7%.

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