Jerónimo Martins proíbe viagens à Ásia. Retalhistas dizem estar preparadas para o covid-19

Viagens proibidas, teletrabalho, regras de higiene específicas, formação e protocolos internos. Estas são algumas das medidas das empresas de distribuição face ao aumento de casos de coronavírus.

Algumas das maiores empresas de distribuição em Portugal — Jerónimo Martins, Sonae, Lidl e Mercadona — e que operam também noutros países do mundo, garantem estar atentas às questões relativas ao coronavírus covid-19. Nas retalhistas, as medidas vão desde a proibição de viagens, na Jerónimo Martins, à implementação de medidas de higiene que previnam o contágio pelo vírus.

A dona do Pingo Doce, em resposta ao aumento de casos de covid-19, já proibiu os trabalhadores de fazer viagens à Ásia. Por outro lado, os trabalhadores que regressarem de um país considerado de foco, como Itália, são aconselhados a trabalhar a partir de casa. Nos três países em que o grupo Jerónimo Martins opera — Portugal, Polónia e Colômbia — não há casos confirmados de coronavírus, mas a empresa garante estar a seguir as recomendações das autoridades de saúde.

“Desde o início da crise do coronavírus”, que começou na China no final do ano passado, já matou 2.763 pessoas e infetou mais de 81 mil em todo o mundo, “as viagens profissionais à Ásia foram proibidas, tendo-se desaconselhado também as viagens a título pessoal. Uma vez que Itália é agora considerado um país foco, os colaboradores que regressam deste ou de qualquer país considerado de foco, devem ficar a trabalhar de casa até terminar o período considerado necessário para garantir que a pessoa não está infetada”, explica fonte oficial da retalhista ao ECO. “Foi, ainda, partilhada com os colaboradores informação sobre a propagação do vírus e os comportamentos preventivos a adotar“, acrescenta a mesma fonte.

Também o Lidl, que opera em 30 países, garante estar a “planear diversos cenários nos países onde está presente” para garantir que “as operações em entreposto e lojas estão asseguradas mesmo em circunstância especiais”, refere a empresa em comunicado. “Estamos a acompanhar o desenvolvimento da situação em cada país e, caso necessário, tomaremos as medidas necessárias para proteger colaboradores e clientes, em conjunto com autoridades nacionais e locais”, adianta ainda.

A retalhista alimentar do grupo Schwarz já informou igualmente os trabalhadores de eventuais restrições em viagens, “assegurando que todas as medidas de higiene estão a ser cumpridas“.

Para responder ao avanço do coronavírus, também a Sonae “tem o seu plano de contingência preparado, e as suas medidas serão ativadas de acordo com o nível de risco concreto, quando e assim que se justifique”, avança fonte do grupo português à revista Pessoas. A dona das marcas Continente, Well’s, Maxmat e Go Natural garante que todas as suas empresas “estão a acompanhar atentamente a questão, nomeadamente as posições tomadas quer pelas organizações internacionais responsáveis, designadamente OMS e ECDC, quer pela Direção Geral de Saúde portuguesa”, acrescenta.

Na Mercadona, cadeia de supermercados de espanhola que entrou em Portugal o ano passado, “os serviços médicos de prevenção da Mercadona têm protocolos internos” e, por isso, a empresa não especifica os detalhes destas medidas.

Ainda assim, fonte oficial da retalhista assegura: “É nossa obrigação e responsabilidade estar em permanente contacto com as autoridades de saúde para seguir as instruções que nos indiquem”, sublinha ao ECO a retalhista. Em Espanha, já há casos confirmados nas ilhas Canárias, Madrid, Barcelona, Catalunha e Castéllon.

Isolamento, higiene e teletrabalho, aconselha DGS

Esta quinta-feira, a Direção-Geral de Saúde deixou recomendações específicas para as empresas, entre elas a necessidade de ter zonas de isolamento, regras de higiene específicas, evitar reuniões em sala e aconselhar os trabalhadores a ficar em casa, caso tenham viajado recentemente. Como alternativa, a DGS sugere reuniões por videoconferência e o reforço dos dispositivos tecnológicos de comunicação e informação.

A DGS alerta para a possibilidade de as empresas terem de se preparar para a ausência de grande parte da força laboral devido a doença. As empresas devem ainda disponibilizar equipamentos como máscaras e material desinfetante, que devem ser colocados em sítios estratégicos nos espaços de trabalho.

A epidemia tem feito tremer os mercados e tem colocado em alerta alguns setores, como o setor têxtil e das marcas de luxo. No setor têxtil, o coronavírus já ameaçou com total paralisação, já que 85% de toda a roupa consumida na Europa advém da China. De acordo com a Associação Nacional das Industrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC), esta epidemia vem acentuar uma Europa já “desequilibrada”, principalmente para as exportações, que têm vindo a sofrer com a guerra comercial entre EUA e China e com a saída do Reino Unido da UE.

Em França, o vírus já matou duas pessoas, a segunda confirmada esta quarta-feira. Na Europa, Itália continua a ser o país mais afetado, com 12 mortes confirmadas, e a preocupação concentra-se nas regiões da Lombardia e Veneto, onde já encerraram escolas, universidades, e desaconselham-se grandes ajuntamentos em locais públicos. Também já há casos confirmados na Grécia, Áustria, Suíça e Croácia e, esta quinta-feira, foi também confirmado o primeiro caso na América latina, no Brasil. Portugal continua imune ao vírus.

Em Portugal, a DGS registou 25 casos suspeitos de infeção e o único português infetado pelo novo vírus é um tripulante de um navio de cruzeiros que foi internado num hospital da cidade japonesa de Okazaki, a sudoeste de Tóquio.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Jerónimo Martins proíbe viagens à Ásia. Retalhistas dizem estar preparadas para o covid-19

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião