Bolsa de Lisboa afunda 12% numa semana. Coronavírus tira 7,4 mil milhões às empresas

A cotada portuguesa mais penalizada foi a Mota-Engil e 12 das 18 empresas do PSI-20 registaram perdas superiores a 10% na semana.

O coronavírus atirou a bolsa de Lisboa para a pior semana desde outubro de 2008, no pico da crise financeira e logo depois da falência do Lehman Brothers. Em apenas cinco sessões, o índice PSI-20 desvalorizou 11,55% devido à rápida disseminação do coronavírus (e os receios do potencial impacto do surto na economia global). Perdeu 7,4 mil milhões de euros em capitalização de mercado.

A cotada portuguesa mais penalizada na semana foi a mais exposta aos mercados internacionais, a Mota-Engil, mas as quedas foram generalizadas. Entre as 18 empresas que negoceiam no índice, 12 registaram perdas superiores a 10% na semana. Só esta sexta-feira, o PSI-20 tombou 3,76% para 4.765,73 pontos.

Entre os pesos-pesados, o BCP afundou 5,7%, a Nos desvalorizou 4,14% e a Jerónimo Martins 2,9%. Na energia, a EDP caiu 4,13%, a EDP Renováveis perdeu 2,09% e a Galp Energia tombou 5,03% (numa altura em que o preço do petróleo cai mais de 3% para mínimos de mais de um ano). Os mercados estão a ser penalizados pelo surto.

Detetado em dezembro na China, o coronavírus provocou pelo menos 2.858 mortos e infetou mais de 83 mil pessoas em mais de 50 países. Apesar de a Ásia continuar com a região mais afetada, o vírus chegou, há menos de uma semana, à Europa, África e América. Das pessoas infetadas, mais de 36 mil recuperaram. A rápida disseminação do vírus está a gerar receios sobre o eventual fecho de fronteiras, limitação de deslocações e quarentenas.

Bolsa de Lisboa cai para o valor mais baixo desde agosto

Investidores procuram refúgio na dívida

Enquanto não se sabe o impacto económico, as preocupações estão já a refletir-se nos mercados financeiros de forma generalizada. “Os mercados de ações e de dívida europeus transitaram de exuberância para pessimismo depois de o coronavírus ter alastrado ao Norte de Itália, aumentando a incerteza que sobre o impacto económico. As ações europeias caíram de forma expressiva e o spread da dívida soberana italiana face às Bunds alemãs aumentou”, refere a Fidelity numa nota de research intitulada “A Europa apanhou coronavírus: dentro do selloff nos mercados”.

Tal como o índice português, o Stoxx 600 também viveu a pior semana desde 2008, com uma perda de 12,2%. O alemão DAX recuou 12,4%, o italiano FTSE MIB caiu 11,3% e o britânico FTSE 100 desvalorizou 11,1%.

O selloff nas bolsas estão a atirar os investidores para ativos refúgio. Apesar de o ouro ter perdido força na sessão, o franco suíço e o ouro negociaram em alta. A yield das Bunds alemãs a dez anos já negoceia em -0,6%, com a perspetiva de novos estímulos europeus para mitigar o impacto do vírus.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse estar a seguir “muito cautelosamente” a epidemia de coronavírus, mas afastou medidas imediatas de política monetária que respondam à propagação deste surto. Ainda assim, os futuros do mercado monetário indicam que os investidores esperam um corte das taxas de referência em junho. Também o Eurogrupo e a Comissão Europeia já disseram que estão a preparar, caso se torne necessário, “medidas de apoio” aos setores económicos enfraquecidos.

Estas reações poderão juntar-se aos estímulos da China, enquanto outros planos poderão estar em curso. O Financial Times noticiou que a Arábia Saudita já está a pressionar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para implementarem um corte adicional na produção de mil barris por dia na próxima reunião.

(Notícia atualizada às 17h10)

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