“Bancos centrais estão em contacto”, diz Powell após cortar taxas nos EUA. Deixa porta aberta a novos cortes devido ao vírus

A Fed anunciou esta terça-feira um corte de juros surpresa devido ao surto. Presidente do banco central garante que ação é concertada com outras instituições.

Os bancos centrais estão em contacto entre si e outros poderão seguir a decisão da Reserva Federal norte-americana de cortar juros de referência em resposta ao surto de coronavírus. O presidente do banco central, Jerome Powell, explicou que decidiu agir para prevenir o potencial impacto da epidemia nas condições financeiras e deixou a porta aberta a novos cortes.

“Estamos a discutir ativamente com os bancos centrais de todo o mundo, numa base permanente. Tenho estado em contacto com os líderes dos bancos centrais e continuarei. Os bancos centrais o que faz sentido no contexto particular de cada instituição”, garantiu Powell.

A Fed anunciou esta terça-feira um corte de juros surpresa devido ao surto, que já infetou 90.663 em todos os continentes e causou 3.124 mortos. A queda foi de 50 pontos base para um intervalo entre 1% a 1,25%. “A nossa ação hoje representa o que consideramos ser a política correta para nós”, disse.

Powell já tinha garantido que a Fed estava a monitorizar o potencial impacto, mas era esperado que o banco central tomasse esta decisão apenas a 18 de março, data da próxima reunião do comité responsável pela estratégia de política monetária norte-americana.

Da mesma forma, Christine Lagarde afirmou que o Banco Central Europeu (BCE) está igualmente a acompanhar os desenvolvimentos do surto e eventuais implicações para a economia, inflação e canais de transmissão da política monetária. “Estamos prontos a tomar medidas específicas e apropriadas, se necessário de forma proporcional aos riscos”, disse a presidente do BCE.

Banqueiros centrais e ministros das Finanças do G7 debateram esta terça-feira uma intervenção conjunta para lidar com as consequências do surto nos mercados e condições económicas. Além dos estímulos monetários, poderão ser esperados estímulos orçamentais.

Questionado sobre essa possibilidade, Powell lembrou que a Fed não tem influência nessa vertente, mas sublinhou: “Viram que o comunicado do G7 referia que [estímulos orçamentais] são apropriados“.

“O surto de vírus é algo que requer uma resposta multifacetada. Essa resposta começa pelos profissionais e especialistas de saúde. Vem também das autoridades orçamentais, caso considerem que é apropriado. E poderá vir de vários setores públicos e privados, negócios, escolas, governos estatais e locais. E há também o papel dos bancos centrais”, explicou Powell.

“Reconhecemos que o corte de juros não irá reduzir a infeção”, disse. “Mas acreditamos que a nossa ação irá dar um impulso significativo na economia”. Especificamente, o presidente da Fed espera que a diminuição apoie as condições financeiras, impeça a sua contração e que ajude a impulsionar a confiança de famílias e empresas.

(Notícia atualizada às 17h17 com mais informação)

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