Galp afunda 7% e BCP tomba 5% em mais um dia negro para a bolsa de Lisboa

Esta é a segunda semana consecutiva de forte volatilidade e perdas nas bolsas devido ao coronavírus.

A bolsa de Lisboa pintou-se de vermelho, com a Galp Energia e o BCP a caírem a pico. Esta é a segunda semana de forte volatilidade nas bolsas mundiais devido ao surto de coronavírus. Após afundar 3,86% para 4.671,50 pontos esta sexta-feira, o PSI-20 acumula uma perda de 2% na semana, equivalente a menos 263,4 milhões de euros.

A Galp liderou as perdas com um tombo de 7,27% para 11,48 euros por ação, no valor mais baixo desde 28 de junho de 2016. A petrolífera acompanhou as desvalorizações no setor, onde os maiores produtores não se entendem sobre a estratégia a seguir para travar o impacto do coronavírus no mercado petrolífero (devido à quebra na procura).

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tinha anunciado que iria propor, na reunião desta sexta-feira, um corte adicional da produção de 1,5 milhões de barris por dia, aos dez produtores de petróleo aliados. Mas este grupo, liderado pela Rússia, não concordou e a decisão foi adiada. Em reação, o Brent negociado em Londres afunda 8% para 46 dólares por barril e o crude WTI afunda 8% para 42,28 dólares.

BCP em mínimos de três anos

“Tal como tem sido o padrão observado esta semana, a bolsa nacional refletiu o comportamento dos seus pares europeus, sofrendo a sua influência. Neste sentido, o PSI-20 voltou a oscilar em sintonia com as frequentes alterações do sentimento dos investidores globais. Mais uma vez, os títulos de cunho mais cíclico como a Altri, o BCP, a Galp, figuraram entre os mais atingidos”, explicam os analistas do BPI, numa nota de fecho da sessão.

A par da Galp, o BCP também foi uma das cotadas que mais pesou no índice. O banco liderado por Miguel Maya afundou 5,09% para 0,1416 euros por ação, em mínimos de mais de três anos. As ações do BCP — que já perderam 30% do valor este ano — chegaram mesmo a negociar abaixo dos 0,14 euros durante a sessão, em linha com as desvalorizações dos bancos. O setor está a reagir à queda nos juros das obrigações, que estão a ser um refúgio face à fuga dos investidores das ações.

Banco já perdeu 30% este ano

Todas as cotadas no vermelho

No PSI-20, todas as cotadas fecharam a sessão no vermelho. A Altri perdeu 6%, destacando-se igualmente nas perdas, enquanto a Sonae (-4,91%), a EDP (-4,60%), a Navigator (-3,55%), a EDP Renováveis (-3,34%), a Nos (-3,05%) ou a Jerónimo Martins (-1,78%) também registaram desvalorizações expressivas. A tendência na bolsa portuguesa acompanha a Europa.

“Os mercados europeus viveram mais uma sessão nervosa, com os principais índices a sofrerem perdas superiores a 3%”, aponta ainda o BPI. “As constantes notícias de aumentos de contágios (100 mil à escala mundial), de cancelamento de voos e de eventos e de profit warnings, justificados pela epidemia, pesaram sobre o sentimento dos investidores“.

O Stoxx 600 perdeu 3,6% na sessão, para mínimos de sete meses, e 2,4% na semana, a refletir a volatilidade vivida. Já o alemão DAX recuou 3,3% esta sexta-feira, enquanto o francês CAC 40 afundou 4%, o espanhol IBEX 35 tombou 2,7% e o italiano FTSE MIB cedeu 3,5%.

(Notícia atualizada às 17h05)

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