Huawei fora do núcleo do 5G em Portugal. Telecoms seguem Bruxelas

Ao contrário do que se acreditava até aqui, a Huawei não deverá fazer parte do núcleo das redes 5G da Meo, Nos e Vodafone. Telecoms portuguesas estarão em linha com as recomendações de Bruxelas.

A Huawei está fora do core (núcleo) das redes 5G que estão a ser desenvolvidas pelas três principais operadoras portuguesas. Depois de a Nos ter confirmado que não conta com tecnologia da fabricante chinesa no core da sua rede, a Altice Portugal veio garantir o mesmo esta semana. O mesmo é válido para a Vodafone.

“Não temos a Huawei no core“, disse o presidente executivo da dona da Meo, Alexandre Fonseca, num encontro com jornalistas em Aveiro. O ECO sabe que a empresa está a realizar testes com core da Huawei em Lisboa e com tecnologia da Ericsson em Aveiro, mas pondera apostar num core da Cisco quando abrir a sua rede 5G ao mercado.

Quanto à Nos, a operadora também não usa tecnologia da marca chinesa no core da sua rede: “Não temos a Huawei no núcleo”, garantiu o administrador financeiro da empresa, José Pedro Pereira, numa conferência telefónica com analistas no mês passado. A empresa também tem um protocolo com a Huawei, mas também tem apostado em tecnologia da Nokia. No entanto, não foi possível apurar qual o fabricante escolhido pela empresa para o core do seu 5G.

Em relação à Vodafone, é público que a empresa vê na Ericsson o seu fornecedor de eleição. Por isso, também não usa equipamentos da empresa chinesa no seu core de rede móvel de quinta geração, garantiu ao ECO uma fonte conhecedora do mercado.

Contas feitas, das três principais operadoras portuguesas, nenhuma terá tecnologia da Huawei no núcleo das suas redes 5G, ao contrário do que se acreditava até aqui. Estas empresas deverão, assim, estar em conformidade com as recomendações da Comissão Europeia que vão no sentido da exclusão de “fornecedores de alto risco” das partes mais críticas da rede móvel de nova geração.

Apesar de a Huawei não ter sido diretamente mencionada por Bruxelas, o nome da fabricante tem levantado dúvidas pelas alegadas ligações ao regime comunista chinês. Os EUA têm pressionado a União Europeia a banir totalmente a empresa, por receio de que a sua tecnologia seja um veículo de espionagem ao serviço de Xi Jinping.

No entanto, a Huawei tem negado todas as acusações e garante que dá primazia à segurança. E o certo é que nunca foram apresentadas provas contrárias que apontem para vulnerabilidades flagrantes nos equipamentos que produz. A empresa contrapõe, por isso, com a ideia de que foi “apanhada” no fogo cruzado da guerra comercial sino-americana.

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