Em dia negro nos mercados, Wall Street toca mínimos de 2008

Num dia marcado por quedas abruptas do preço do petróleo, os mercados acionistas sofreram as consequências dessa desvalorização da matéria-prima. Dow Jones cai 2.000 pontos, a maior queda de sempre.

Num dia em que a Europa entrou em bear market, consequência das fortes quedas do preço do petróleo, as bolsas norte-americanas também não escaparam a um cenário de perdas com desvalorizações na ordem dos 8%. Os principais índices de Nova Iorque encerraram a primeira sessão da semana a bater mínimos históricos. O industrial Dow Jones perdeu 2.013,7 pontos (7,79% para 23.851,02 pontos), naquela que foi a maior queda pontual de sempre.

O índice de referência de Wall Street, o S&P 500, caiu 7,59% para 2.746,56 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq desvalorizou 6,83% para 7.948,03 pontos, tendo os índices registado as piores sessões desde dezembro de 2008, o pico da crise financeira. Já a queda percentual do Dow Jones foi a maior queda desde 15 de outubro de 2008.

Na abertura desta sessão, as quedas foram de tal forma acentuadas que provocaram uma suspensão das negociações, de forma a evitar uma “Segunda-feira Negra”, como aconteceu em 1987, diz a Reuters (conteúdo em inglês).

Este desempenho das bolsas de Nova Iorque aconteceu num dia marcado por fortes quedas do preço do petróleo. O barril de Brent, negociado em Londres, caiu 23,9% para 34,45 dólares, enquanto o WTI, negociado em Texas, perdeu 25,15% para 30,9 dólares. Durante esta segunda-feira, ambos estiveram a cair mais de 30%.

“Há muito medo nos mercados e, se o preço do petróleo continuar em queda, é uma indicação de que a recessão global não está longe”, diz Peter Cardillo, economista-chefe da Spartan Capital Securities, citado pela Reuters. Esta quebra do preço do ouro negro é uma consequência indireta dos impactos do coronavírus e uma consequência direta de uma guerra entre a Arábia Saudita e a Rússia, depois de um falhanço nas negociações da OPEP.

Após uma reunião na semana passada, a Arábia Saudita veio sinalizar um corte agressivo nos preços de venda da matéria-prima, isto ao mesmo tempo que anunciou um aumento de produção com o objetivo de inundar o mercado com crude, o que provocou uma forte queda no preço do petróleo, a maior desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Este desempenho prejudicou, como seria de esperar, as principais empresas petrolíferas. A britânica BP perdeu 19,5%, a Shell caiu 17%, enquanto a Tullow Oil e a Premier Oil afundaram 32% e 58%, respetivamente, levando o índice que agrega as empresas petrolíferas na Europa, o Stoxx-600 Oil & Gas, a registar uma queda de quase 19%.

Nas bolsas europeias estas tensões também se fizeram sentir. O PSI-20 encerrou a perder mais de 8%, o equivalente a uma perda de quase cinco mil milhões de euros em apenas um dia. Entre as cotadas nacionais, o destaque foram os títulos da Galp Energia, que desvalorizaram 16,52% para 9,584 euros, levando a petrolífera a perder 1,5 mil milhões de euros em apenas uma sessão.

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